Dirigentes da Casa Branca ponderam partilhar tecnologia nuclear com Arábia Saudita

Dirigentes da Casa Branca defenderam um projeto de partilha de tecnologia nuclear com a Arábia Saudita, apesar das objeções baseadas em ética e segurança nacional feitas por outros responsáveis, segundo um relatório do Congresso, que citou fontes do governo.

Congressistas de ambos os partidos expressaram preocupações com a possibilidade de a Arábia Saudita desenvolver armas nucleares, se a tecnologia dos Estados Unidos da América fosse transferida sem as salvaguardas devidas.

Uma comissão da Câmara dos Representantes abriu hoje uma investigação a alegações, feitas por vários denunciantes não identificados, que revelaram ter assistido a "atos anormais" na Casa Branca, com o propósito de construir dezenas de reatores nucleares neste reino do Médio Oriente.

O relatório suscitou preocupações perante a possibilidade de alguns, numa Casa Branca marcada pelo "caos, disfunção e maledicência", procurarem contornar os procedimentos de segurança nacional para realizarem um negócio com os sauditas que fosse financeiramente proveitoso para alguns dos colaboradores mais próximos do Presidente norte-americano, Donald Trump.

O documento foi conhecido quando os congressistas estão cada vez mais críticos da relação próxima entre o Governo de Trump e os dirigentes sauditas, que suscitou alarme mesmo entre membros do partido de Trump.

A minimização do alegado envolvimento saudita no assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, colunista do Washington Post, e na guerra do Iémen foi a contrapartida pela intenção do Governo de Trump de fazer da Arábia Saudita a base da sua política externa no Médio Oriente, que procura isolar o Irão.

Segundo o documento, o esforço nuclear foi liderado pelo antigo assessor de Segurança Nacional, Michael Flynn, demitido no início de 2017.

Derek Harvey, um membro do Conselho de Segurança Nacional, trazido por Flynn, continuou a trabalhar na proposta, que continua sob apreciação do Governo.

O congressista democrata Elijah Cummings, eleitor pelo Estado do Maryland, que preside à comissão de Controlo e Reforma, anunciou a investigação hoje.

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