Direção de Património abre classificação de igreja e centro paroquial do Foco no Porto

A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) iniciou hoje o processo de classificação da igreja e do Centro Paroquial da Boavista, na zona residencial do Foco, no Porto, fixando a respetiva "Zona Especial de Proteção Provisória (ZEPP)".

Nos "elementos relevantes" do processo, disponibilizados na página da Internet da DGPC, refere-se o arquivamento da classificação do Parque Residencial da Boavista/Foco e a sua "inclusão numa futura ZEP" da Igreja como forma de criar "as condições para a salvaguarda das características fundamentais" do conjunto, que inclui um edifício da década de 60 da autoria do arquiteto Agostinho Ricca com João Serôdio e Magalhães Carneiro.

A DGPC esclarece que a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) considerou "excessiva uma classificação de âmbito nacional" para o Foco, notando que a sua inclusão na ZEP "permite clarificar que tipo e intervenções interiores devem ou não ser submetidas a parecer" daquela entidade.

Em anúncio publicado no Diário da República, a DGPC determina "a abertura do procedimento de classificação da Igreja de Nossa Senhora da Boavista e do Centro Paroquial, nas ruas de Fernando Pessoa e de Azevedo Coutinho, Porto, freguesia de Ramalde", bem como "a fixação da respetiva ZEPP".

O anúncio no DR, assinado pela diretora da DGPC a 16 de janeiro, foi alvo do seu despacho a 06 de dezembro de 2018 e teve parecer da Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura em outubro.

A planta disponibilizada pela DGPC mostra que a ZEPP abrange todo o parque residencial até aos limites da avenida da Boavista, da Via de Cintura Interna e de parte da rua Azevedo Coutinho, até à confluência com a rua Eugénio de Castro e a rotunda da rua Professor Damião Peres.

Os "elementos relevantes" do processo apontam a Igreja como obra de "indiscutível qualidade e até excecionalidade no âmbito da arquitetura moderna religiosa em Portugal, articulada com um programa iconográfico de mestres como Júlio Resende, Zulmiro de Carvalho, Manuel Aguiar e Francisco Laranjo".

De acordo com os documentos, foi já definida uma ZEPP "onde se inclui o Parque do Foco, por a zona geral de proteção [50 metros] se revelar insuficiente na proteção e valorização" da Igreja e do Centro Paroquial.

Numa informação da DRCN, defende-se a inclusão do Parque Residencial na ZEP como "boa solução", por salvaguardar a "morfologia urbanística" do conjunto, nomeadamente a "disposição dos volumes e vias de circulação", bem como "a imagem dos edifícios (configuração exterior, materiais e cores)".

A isto, soma-se "a relação entre edificado e espaço verde" e "as obras de arte pública.

O parecer da diretora da DGPC observa que "a existência de outras unidades de habitação coevas [contemporâneas], particularmente em Lisboa, leva a considerar excessiva uma classificação de âmbito nacional".

O conjunto do Foco inclui, além da igreja, cinema e hotel (ambos encerrados), galerias comerciais, escritórios e 450 fogos.

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