Depois da reforma da Previdência, PR brasileiro quer reforma laboral

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, reuniu-se hoje com empresários chilenos para apresentar o cenário económico que pretende para o Brasil, com uma reforma laboral que flexibilize o emprego.

Antes de ser recebido no Palácio La Moneda, sede do governo chileno, pelo Presidente Sebastián Piñera, Bolsonaro apontou o rumo que quer para que as reformas abram caminho a investimentos estrangeiros.

Bolsonaro indicou que, depois da reforma da Previdência, quer uma reforma laboral que desburocratize a economia com empregos que beirem a informalidade. E revelou que a sua equipa no setor económico já está a preparar essa nova reforma.

"A nossa equipa económica também trabalha numa reforma para desburocratizar a nossa economia, para desregulamentar muita coisa e, na questão do trabalho, nós devemos beirar a informalidade porque a nossa mão-de-obra talvez seja uma das mais caras do mundo. Um regime laboral que não se adequa mais à realidade", afirmou.

Sobre a reforma da Previdência, Bolsonaro mostrou-se confiante.

"Temos chance, sim, grande de sair dessa situação que nós encontramos com as reformas. E a primeira delas, a mais importante é essa da Previdência", confiou.

O Presidente brasileiro também acusou os que resistem a avançar com a reforma da Previdência de "não quererem largar a velha política".

Na sequência do anúncio do presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, que se demarcou de novas negociações entre o governo e o parlamento para aprovar a reforma da previdência, num sério revés para a estratégia do seu governo, Bolsonaro mandou um recado: "Os atritos que acontecem no momento, mesmo estando eu calado fora do Brasil, é porque alguns, não são todos, não querem largar a velha política", acusou.

Aos empresários chilenos, Bolsonaro voltou a questionar o voto eletrónico, mesmo tendo sido eleito.

"E mesmo com um sistema eleitoral duvidoso que são as urnas eletrónicas, nós conseguimos chegar à Presidência", vangloriou-se.

Os jornalistas foram acusados de serem doutrinados pela esquerda.

"É difícil encontrar um jornalista da grande imprensa que possa discutir connosco de igual para igual. Eles têm viés de esquerda. Estão doutrinados demais", criticou.

Bolsonaro acrescentou que se não tivesse sido ele a vencer as presidenciais brasileiras, o Presidente eleito do Brasil seria Fernando Haddad, e não estaria no Chile mas sim na Venezuela.

"Se o Haddad tivesse ganho as eleições, eu não estaria aqui, o Presidente estaria com o Maduro", comparou.

Após o pequeno-almoço com os empresários chilenos, Jair Bolsonaro foi recebido pelo seu homólogo chileno, Sebastián Piñera, com quem manteve uma reunião privada a sós primeiro, seguida de outra alargada a membros dos dois governos.

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