CRONOLOGIA: Crise política na Venezuela

Juan Guaidó autoproclamou-se Presidente interino da Venezuela, em 23 de janeiro, e recusou reconhecer legitimidade ao Presidente eleito, Nicolas Maduro, inaugurando uma crise política que já dura há mais de um mês.

Juan Guaidó teve de imediato o apoio dos EUA e, mais tarde, de dezenas de países que têm exigido a marcação de novas eleições presidenciais e a exoneração de Nicolas Maduro.

Nicolas Maduro recusa a entrada de ajuda humanitária internacional oriunda dos EUA e da Europa, enquanto Juan Guaidó viajou para a fronteira com a Colômbia, para garantir que alimentos e medicamentos chegam rapidamente aos venezuelanos.

Principais acontecimentos da crise política na Venezuela:

+++ 2019 +++

05 de janeiro:

- Juan Guaidó toma posse como presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, que desde as eleições legislativas de 2016 é controlada pela oposição a Nicolas Maduro.

10 de janeiro:

- Nicolas Maduro toma posse como Presidente da Venezuela, para cumprir o segundo mandato, até 2025, na sede do Supremo Tribunal de Justiça (por não ser reconhecido na Assembleia Nacional).

13 de janeiro:

- Juan Guaidó é detido por agentes do Serviço de Inteligência Bolivariana, quando se dirigia para uma reunião com opositores a Nicolas Maduro. Foi libertado algumas horas depois.

15 de janeiro:

- A Assembleia Nacional considera que Nicolas Maduro está a ser "usurpador do cargo de Presidente". Juan Guaidó pede apoio internacional e oferece amnistia para todos aqueles que auxiliem a afastar Nicolas Maduro do poder.

17 de janeiro:

- O Tribunal de Controlo de Caracas decreta a prisão preventiva dos membros do serviço de inteligência que detiveram Juan Guaidó no dia 15 de janeiro, acusando-os de "abuso de autoridade". Um grupo de ex-militares e de polícias apela à rebelião nas Forças Armadas, para derrubar Nicolas Maduro.

21 de janeiro:

- O Supremo Tribunal de Justiça declara inválida a autoproclamação de Juan Guaidó como Presidente interino. Um grupo de militares de baixa patente da Guarda Nacional Bolivariana é detido, acusado de roubar armas e de tentativa de derrube do Presidente Nicolas Maduro.

22 de janeiro:

- O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, incentivou a população a manifestar-se nas ruas, considerando que "Maduro não tem legitimidade para governar".

23 de janeiro:

- Perante milhares de apoiantes, Juan Guaidó autoproclama-se Presidente interino da Venezuela, dizendo que está legitimado pela Constituição, e promete convocar eleições.

- Manifestações a favor e contra Maduro enchem ruas de várias cidades venezuelanas. O Presidente dos EUA, Donald Trump, reconhece Juan Guaidó como Presidente efetivo da Venezuela. Em reação imediata, Nicolas Maduro anuncia o corte de relações diplomáticas com os EUA. Vários países seguem o exemplo norte-americano e reconhecem a autoridade de Guaidó. A Rússia e a China criticam a atitude dos EUA e dizem que Nicolas Maduro é o único Presidente da Venezuela.

24 de janeiro:

- O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, diz que a declaração de autoproclamação de Juan Guaidó é um "golpe de Estado" e diz que apenas Nicolas Maduro tem "legitimidade para governar". Os EUA ordenam a saída de funcionários diplomáticos de Caracas e convocam uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU para discutir a crise na Venezuela. O México e o Uruguai oferecem ajuda para mediar negociações entre Maduro e Guaidó. O Presidente russo, Vladimir Putin, telefona a Nicolas Maduro e critica a ingerência externa na Venezuela.

25 de janeiro:

- Nicolas Maduro diz estar disponível para reunir com Juan Guaidó. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, acusa os EUA de patrocinarem um "golpe de Estado" na Venezuela, em plena reunião do Conselho de Segurança da ONU. Nicolas Maduro dá uma conferência de Imprensa em que descarta a hipótese de diálogo com a oposição.

26 de janeiro:

- Vários países da União Europeia fazem um ultimato a Nicolas Maduro, dando-lhe oito dias para convocar eleições presidenciais. Juan Guaidó admite amnistiar Nicolas Maduro, caso ele abdique do poder, e apresenta um plano de governo, pedindo às Forças Armadas para se juntarem. Guaidó diz que permitirá a entrada de ajuda humanitária. O governo russo pede o fim da intromissão estrangeira na situação na Venezuela.

27 de janeiro:

- Partidários de Juan Guaidó difundem um texto prometendo amnistia para quem ajudar a derrubar Maduro. Os EUA aceitam o nome de Carlos Vecchio, apoiante de Juan Guaidó, como novo encarregado de negócios.

28 de janeiro:

- O governo norte-americano pede aos militares para abandonarem Nicolas Maduro e anuncia novas medidas de sanções a empresa estatal de petróleo venezuelana e diz que o dinheiro pela compra de petróleo será entregue a um governo democraticamente eleito.

29 de janeiro:

- O Supremo Tribunal de Justiça proíbe Juan Guaidó de abandonar território venezuelano. A Assembleia Nacional nomeia representantes diplomáticos para países que reconheçam Juan Guaidó como Presidente interino.

30 de janeiro:

- Nicolas Maduro aceita eleições legislativas antecipadas, mas recusa marcar novas eleições presidenciais.

31 de janeiro:

- O Parlamento Europeu reconhece Juan Guaidó como Presidente interino. A União Europeia cria um Grupo de Contacto para a Venezuela, constituído por oito países, incluindo Portugal.

01 de fevereiro:

- O vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, afirmou que "estão em aberto todas as opções" para a situação na Venezuela.

02 de fevereiro:

- Duas mega-manifestações, uma a favor de Nicolas Maduro, outra a favor de Juan Guaidó, enchem as ruas de Caracas. O general Francisco Yánez rebela-se contra Nicolas Maduro, sendo a mais alta patente militar a tomar essa atitude.

03 de fevereiro:

- O Grupo de Contacto para a Venezuela declara acreditar num "processo político e pacífico" de convocação de eleições presidenciais.

04 de fevereiro:

- Termina o prazo dado por vários países europeus, incluindo Portugal, para Nicolas Maduro convocar eleições presidenciais, levando-os a reconhecer Juan Guaidó como Presidente interino. O Grupo de Lima reúne no Canadá para ratificar o apoio a Juan Guaidó.

05 de fevereiro:

- Papa diz estar disponível para mediar situação na Venezuela, mas lembra que é preciso acordo de ambas as partes.

07 de fevereiro:

- Juan Guaidó apela ao Papa Francisco para o ajudar a marcar eleições. Grupo de Contacto para a Venezuela, que inclui Portugal, reúne pela primeira vez, no Uruguai, para definir plano de transição de poder. Governo italiano diz a Juan Guaidó que não tenciona interferir na vida política da Venezuela. ONU declara estar pronta para enviar ajuda humanitária para a Venezuela.

08 de fevereiro:

- Nicolas Maduro manifesta-se disponível para reunir com Grupo de Contacto internacional, mas acusou-o de "parcialidade". Nicolas Maduro afirma que vai evitar o que considera ser o "espetáculo" à volta da ajuda humanitária, referindo-se aos alimentos e remédios que chegarão ao país, oriundos dos EUA.

10 de fevereiro:

- Juan Guaidó diz que a ajuda humanitária internacional está pronta para entrar na Venezuela. Nicolás Maduro dá início a exercícios militares e volta a acusar o seu homólogo dos EUA, Donald Trump, de pretender intervir no seu país.

11 de fevereiro:

- Rússia prepara projeto de resolução "conciliador" sobre a Venezuela para ser apresentado no Conselho de Segurança da ONU. O Vaticano manifesta a uma delegação de apoiantes de Juan Guaidó a preocupação de que seja encontrada urgentemente uma solução justa e pacífica para a crise venezuelana. Governo de Maduro reforça presença militar na fronteira com a Colômbia.

14 de fevereiro:

- A Rússia, a China e mais de 15 outros países comprometem-se a defender nas Nações Unidas o Governo venezuelano de Nicolás Maduro contra as sanções dos Estados Unidos.

15 de fevereiro:

- Nicolás Maduro anuncia que convidou o enviado especial dos Estados Unidos a deslocar-se ao país e que o seu ministro dos Negócios Estrangeiros manteve contactos com responsáveis oficiais dos EUA em Nova Iorque. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, concordam que a realização de "eleições antecipadas" será a melhor forma de a Venezuela regressar à ordem constitucional.

17 de fevereiro:

- Delegação do Partido Popular Europeua, a maior formação do Parlamento Europeu, que tinha sido convidada pela Assembleia Nacional venezuelana a visitar a Venezuela, é impedida de entrar no país e obrigada a apanhar um voo de regresso a Madrid.

18 de fevereiro:

- Nicolás Maduro anuncia que vai enviar 20 mil caixas de ajuda humanitária para a cidade de Cúcuta, Colômbia, onde estão refugiados milhares de venezuelanos que abandonaram o país. O milionário britânico Richard Branson diz que espera conseguir levar 300 mil pessoas a um concerto solidário por si organizado para ajudar a desbloquear a assistência humanitária aos venezuelanos. A Igreja Católica venezuelana pede aos militares e autoridades do país para que não levantem as armas ao povo e que permitam a entrada de ajuda humanitária no país. O Presidente norte-americano apela aos chefes militares venezuelanos para se juntarem ao opositor e presidente autoproclamado Juan Guaidó e deixarem entrar a ajuda humanitária no país. Nicolás Maduro anuncia que a Rússia enviou 300 toneladas de ajuda humanitária para os venezuelanos, que deverá chegar na quarta-feira ao país.

19 de fevereiro:

- França, Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha anunciam uma contribuição de mais de 16 milhões de euros para ajuda humanitária aos venezuelanos. Exército venezuelano jura lealdade "inflexível" a Nicolas Maduro. Juan Guaidó nomeia José Rafael Cotte para o cargo de embaixador da Venezuela em Portugal.

20 de fevereiro:

- Nicolás Maduro desafia Juan Guaidó a convocar eleições. Rússia apela a Guaidó para negociar com Maduro. Governo de Maduro proíbe saída de embarcações dos portos.

21 de fevereiro:

- Juan Guaidó pede à população que faça no sábado um corredor para permitir a entrada de ajuda humanitária e viaja até à fronteira com a Colômbia, com uma comitiva de deputados opositores ao regime de Maduro, assegurando que o apoio internacional vai chegar aos venezuelanos. A Guarda Nacional bloqueia a caravana e obriga os parlamentares a sair do autocarro. Maduro manda fechar fronteira com Brasil e ameaça fazer o mesmo com Colômbia. Ajuda humanitária oriunda da Rússia chega à Venezuela.

22 de fevereiro:

- Representantes de Juan Guaidó dizem que rede consular venezuelana nos EUA foi desmantelada por ordem de Nicolas Maduro. Ministro da indústria venezuelana viaja até Moscovo para encontro com alto responsável do governo russo. China considera que entrada de ajuda humanitária na Venezuela pode criar conflitos graves. ONU revela que 3,4 milhões de pessoas já fugiram da Venezuela desde o início da atual crise.

Ler mais

Exclusivos