Cristas defende que descida do desemprego vai "à boleia da reforma laboral" de PSD e CDS

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu hoje que a descida da taxa de desemprego para 6,7% "não tem a ver com a ação do Governo" e foi alcançada "à boleia da reforma laboral" do anterior executivo.

"Tudo o que é boa notícia para o país é boa notícia para nós também. Tenho-o dito muitas vezes. Nessa matéria, creio que o Governo levou uma boleia muito grande da reforma laboral feita pelo anterior Governo que, como está à vista, ajudou a favorecer uma descida do desemprego", defendeu Assunção Cristas.

Falando aos jornalistas na sede centrista, em Lisboa, onde decorreu uma reunião da comissão executiva do partido, o órgão restrito de direção, Assunção Cristas considerou que a descida do desemprego é "um exemplo que não tem a ver com a ação do Governo", enquanto "aquilo que tem a ver com a ação do Governo é aquilo que está a correr profundamente mal".

"O CDS terá sempre uma palavra positiva para as coisas que são positivas e terá sempre uma palavra de denúncia, de preocupação, e de exigência, para aquilo que está a correr mal. Neste momento, o que está a correr mal é a imensa degradação dos serviços públicos, precisamente aquilo que está na mão do Governo evitar", argumentou.

Para a líder centrista, a descida do desemprego é também "fruto de uma conjuntura externa muitíssimo favorável que tem empurrado o crescimento do país".

"Se eu estivesse no Governo estaria preocupada com a desaceleração do crescimento económico - estando na oposição preocupa-me muito -, estaria preocupada com a qualidade dos empregos que criamos, estaria preocupada com a sustentabilidade desse crescimento que nos permite ter bons emprego", sustentou.

"Aí, infelizmente, vejo o Governo a andar para trás, nomeadamente, revertendo uma reforma laboral que, como está à vista de todos, foi bem-sucedida", concluiu.

A taxa de desemprego desceu para 6,7% no segundo trimestre, atingindo o "valor mais baixo da série iniciada no primeiro trimestre de 2011", divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

"Este valor é inferior em 1,2 pontos percentuais ao do trimestre anterior e em 2,1 pontos percentuais do trimestre homólogo de 2017", refere o INE.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

Conhecem a última anedota do Brexit?

Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A escolha de uma liberdade

A projeção pública da nossa atividade, sobretudo quando, como é o caso da política profissional, essa atividade é, ela própria, pública e publicamente financiada, envolve uma certa perda de liberdade com que nunca me senti confortável. Não se trata apenas da exposição, que o tempo mediático, por ser mais veloz do que o tempo real das horas e dos dias, alargou para além da justíssima sindicância. E a velocidade desse tempo, que chega a substituir o tempo real porque respondemos e reagimos ao que se diz que é, e não ao que é, não vai abrandar, como também se não vai atenuar a inversão do ónus da prova em que a política vive.

Premium

Marisa Matias

Penalizações antecipadas

Um estudo da OCDE publicado nesta semana mostra que Portugal é dos países que mais penalizam quem se reforma antecipadamente e menos beneficia quem trabalha mais anos do que deve. A atual idade de reforma é de 66 anos e cinco meses. Se se sair do mercado de trabalho antes do previsto, o corte é de 36% se for um ano e de 45%, se forem três anos. Ou seja, em três anos é possível perder quase metade do rendimento para o qual se trabalhou uma vida. As penalizações são injustas para quem passou, literalmente, a vida toda a trabalhar e não tem como vislumbrar a possibilidade de deixar de fazê-lo.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

O planeta dos sustentáveis 

Ao ambiente e ao planeta já não basta a simples manifestação da amizade e da esperança. Devemos-lhes a prática do respeito. Esta é, basicamente, a mensagem da jovem e global ativista Greta Thunberg. É uma mensagem positiva e inesperada. Positiva, porque em matéria de respeito pelo ambiente, demonstra que já chegámos à consciencialização urgente de que a ação já está atrasada em relação à emergência de catástrofes como a de Moçambique. Inesperada (ao ponto do embaraço para todos), pela constatação de que foi a nossa juventude, de facto e pela onda da sua ação, a globalizar a oportunidade para operacionalizar a esperança.