Cristas acusa Ministro da Agricultura de ignorância em relação a comissão interministerial

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, acusou hoje o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, de ignorância e falta de competência por ter anunciado a criação de uma comissão interministerial que já estava criada desde 2012.

"É lamentável que o ministro [da Agricultura] queira atirar areia para os olhos das pessoas, não resolvendo os problemas em tempo, arrastando-os e fingindo que está agora a criar uma comissão", afirmou hoje Assunção Cristas, assegurando que "essa comissão interministerial está criada desde 2012.

Em causa está uma Resolução do Conselho de Ministros que, na quarta-feira, dia 07, criou a Comissão Interministerial de Acompanhamento da Seca, coordenada pelos ministros do Ambiente e Agricultura e integrando também os ministros das Finanças, da Administração Interna, da Administração Local, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, da Saúde, da Economia e do Mar.

Uma medida que deixou a presidente do CDS-PP "perplexa" e que Assunção Cristas considera mostrar "a ignorância e a falta de competência do ministro [Capoulas Santos] já que, além de a comissão interministerial estar "criada desde 2012" tem "medidas preparadas que só precisam da aprovação política para poderem ser postas em prática".

"As medidas estão estudas, quem tem que aprovar é o Governo, que tem que saber se consegue pôr verbas para apoiar os agricultores ou se as suas prioridades são outras" afirmou Cristas durante uma visita à Feira Nacional de Agricultura, em Santarém.

Mas, acrescentou " lamentavelmente o que sentimos é que a agricultura não é, nunca foi e não está a ser também uma prioridade para o Governo das esquerdas unidas e para o PS em particular".

Recordando que, durante o seu primeiro mandato como ministra da Agricultura, em 2011/2012, o país foi afetado por "uma seca muito profunda", Cristas lembrou que "nesta altura já estavam 45 milhões de euros à disposição dos agricultores, em várias medidas".

Daí a presidente do CDS-PP considerar "o Ministério [da Agricultura] muito parado ", numa altura "de dificuldades, em que os agricultores precisam de ajudas para as suas tesourarias, para poderem avançar e precisam de alívio em várias medidas onde, de facto, o Governo pode ter intervenção".

Assunção Cristas, que falava aos jornalistas à margem de uma visita Feira Nacional de Agricultura, recusou responder a perguntas sobre a atualidade nacional alegando só falar de agricultura.

A 54ª Feira Nacional de Agricultura decorre em Santarém, no Centro Nacional de Exposições e Marcados Agrícolas (CNEMA), até ao dia 18, tendo como tema os "Cereais de Portugal".

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.