Contas de Arouca revelam o nível de endividamento mais baixo dos últimos 17 anos

Arouca, Aveiro, 17 abr 2019 (Lusa) - A Câmara Municipal de Arouca revelou hoje que atingiu em 2018 o nível de endividamento mais baixo dos últimos 17 anos, como revela o relatório de contas, que também demonstra 2,5 milhões de euros de poupança.

O documento que atesta o desempenho da autarquia foi aprovado pela maioria PS com a abstenção do PSD e CDS, e indica que, a 31 de dezembro de 2018, a dívida da autarquia a terceiros era de 2,41 milhões de euros, representando uma redução de cerca de 895 mil euros e 27% relativamente a 2017.

"A dívida a terceiros diminuiu, representando o saldo transitado no final de 2018 o nível de endividamento mais baixo desde que há registo em termos de contabilidade patrimonial, isto é, desde há, pelo menos, 17 anos", realçou a presidente da Câmara, Margarida Belém.

A autarca realçou que, se se deduzir ao valor da dívida os 80.000 euros que a Câmara teve que encaminhar para reforço do capital do Fundo de Apoio Municipal, a verba devida a terceiros é ainda menor, passando a ser de apenas 2,329 milhões de euros.

"A dívida do município de Arouca a terceiros continua a ser, como nos anos anteriores, uma das mais baixas no seio de toda a comunidade autárquica", o que também se deve ao facto de que o concelho "integra o ranking daqueles cujo prazo médio de pagamento é o mais reduzido", ficando-se por apenas sete dias, afirmou Margarida Belém.

Já no que se refere à poupança, a presidente da Câmara disse que, em 2018, "foi possível economizar-se uma parte significativa das receitas correntes, no montante de 2,525 milhões de euros", o que permitiu afetar grande parte desse valor à cobertura de despesas de capital.

Numa autarquia que "integra o grupo daquelas que apresentam o menor peso de despesas com pessoal", até porque essas diminuíram 845 mil euros devido a aposentações, atualizações salariais adiadas e concursos por concluir, a taxa de execução ficou-se, contudo, pelos 65%, situando-se assim "aquém das expectativas", reconheceu Margarida Belém.

A autarca explicou: "Dos 23,478 milhões de euros inicialmente previstos como receita, o município arrecadou 15,245, embora o facto não seja consequência de uma errada previsão ou de uma mera virtualização de receitas para acomodar mais despesa. Na verdade, esse défice ocorreu fundamentalmente nas transferências de capital comunitário associadas a um conjunto de obras que, por uma razão ou outra, não atingiram o índice de execução previsto".

Considerando que o financiamento comunitário foi 6,8 milhões de euros inferior ao estimado, Margarida Belém notou, aliás, que, se a execução das obras tivesse atingido o valor projetado, "a execução orçamental rondaria os 95%" no final de 2018.

Em "sintonia com a receita", a despesa também foi reduzida em 24%, "devido fundamentalmente ao atraso no início das obras com os projetos da Escola EB2 e 3 de Arouca, a requalificação urbanística da zona poente da vila de Arouca, a construção da ponte suspensa nos passadiços do rio Paiva e a ciclovia do Vale de Arouca".

Os vereadores do PSD e do CDS abstiveram-se na votação das contas municipais de 2018. A sua principal crítica foi contra o facto de o executivo socialista só lhes ter disponibilizado o documento um dia antes da reunião, o que consideraram insuficiente para análise ajustada do relatório e revelador de uma postura pouco transparente.

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