Comunidade internacional pede "bom senso" à Guiné-Bissau no recenseamento

Os representantes das organizações internacionais na Guiné-Bissau apelaram hoje ao "bom senso" dos atores políticos do país para que o país possa realizar um recenseamento "fiável" e preparar eleições legislativas.

"Nós compreendemos que é um momento crítico, mas apelamos mais uma vez ao bom senso das pessoas para que de facto o país possa caminhar para um processo que se reconheça fiável de recenseamento e também na preparação para as eleições legislativas", afirmou o representante da União Africana no país, Ovídeo Pequeno.

O primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, esteve hoje reunido durante cerca de duas horas com os representantes no país da União Africana, União Europeia, Nações Unidas, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, denominados de P5.

O encontro realizou-se na sequência de uma decisão do Ministério Público guineense, divulgado quinta-feira ao final do dia, de suspender o recenseamento eleitoral, bem como o acesso ao Gabinete Técnico de Apoio Eleitoral, no âmbito de um processo de investigação a alegadas irregularidades no processo e que o Governo já considerou como ilegal.

"São questões, que ao nível do P5, vamos continuar atentamente a seguir, vamos fazer algumas diligências e vamos ver o que isto pode produzir para que de facto possamos sair disso", afirmou o diplomata são-tomense.

Ovídeo Pequeno apelou também ao diálogo para a resolução dos problemas.

"Não é esgrimindo os nossos problemas na praça pública e através de comunicados e mandatos que resolveremos os problemas, que não são fáceis são complicados", disse, pedindo também contenção às entidades políticas da Guiné-Bissau para "evitar incitação à violência".

O representante da União Africana disse também que "não é de bom-tom" para a Guiné-Bissau, que recebeu ajuda da Nigéria, estar a "fazer uma propaganda negativa contra esse país".

"Um país que ajudou e continuar a ajudar, foi chamado à última hora para este processo todo e veio com boa vontade", afirmou.

A Nigéria é que deu à Guiné-Bissau os 'kits' que estão a ser utilizados para o recenseamento eleitoral.

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