Companhia Instável celebra 20 anos no Festival Dias Da Dança com dois espetáculos

Porto, 26 abr 2019 (Lusa) - A Companhia Instável assinala 20 anos no Festival Dias Da Dança (DDD) com a apresentação de dois espetáculos no âmbito do projeto "Palcos Instáveis", uma plataforma que tem servido de rampa de lançamento a coreógrafos portugueses.

"A Companhia Instável tem sido uma companhia da cidade do Porto e tem sido, também, uma companhia resiliente durante os últimos 20 anos", disse à agência Lusa a diretora artística da companhia, Ana Figueira.

A companhia de dança está sediada no Teatro Campo Alegre, no Porto, desde 2011, num espaço a que chama "Lugar Instável" e que foi criado com o apoio da Câmara Municipal do Porto, com a intenção de criar um novo programa artístico e que permitiu o desenvolvimento de residências artísticas, da formação regular de artistas, da programação periódica do ciclo "Palcos Instáveis" e do serviço educativo.

"O Rivoli [Teatro Municipal, no Porto] é nosso parceiro desde o nosso segundo ano de existência, desde o projeto de 1999 e passados 20 anos estamos cá, no DDD", explicou.

Os alicerces para a criação da Companhia Instável foram lançados em 1998 no seio do Núcleo de Experimentação Coreográfica (NEC), pela sua fundadora, Ana Figueira.

"A partir do momento em que estamos baseados no Teatro Campo Alegre que temos trabalhado muito no sentido de criarmos um centro coreográfico do qual têm usufruído quase todos os artistas da cidade", disse.

A companhia de dança portuense "quer seja em termos de espaço ou em termos de acompanhamento artístico" apoia "o desenvolvimento do tecido artístico da cidade", explicou a diretora artística.

"A Companhia Instável tem esta característica, mais ou menos especial, que é o facto de ser, exatamente, instável. Ou seja, a companhia associa dois conceitos contraditórios: por um lado a companhia tem a estabilidade relacionada ao próprio conceito de companhia e, por outro, a instabilidade relacionada com a arte contemporânea", afirmou Ana Figueira.

Criada em 2012, a plataforma "Palcos Instáveis", sediada no "Lugar Instável", proporciona a criação de espetáculos, sessões de acompanhamento artístico e um espaço de ensaios disponibilizado pela própria companhia.

Pelas várias edições do "Palcos Instáveis" já passaram jovens que se encontram atualmente afirmados no panorama artístico nacional e internacional, como Marco da Silva Ferreira, Cristina Planas Leitão e Catarina Miranda.

"Um dos nossos 'Palcos Instáveis' está a ser apresentado no DDD, o 'Marengo' da Ana Isabel Castro. Os 'Palcos Instáveis' são projetos de risco e dão oportunidades a criadores, não só necessariamente jovens criadores, mas também criadores que já tem um trabalho mais instalado e que utilizam os 'Palcos Instáveis' como um espaço de risco e de experimentação", explicou.

O primeiro fim de semana do festival Dias Da Dança (DDD) inclui "Marengo", com Ana Isabel Castro, que se estreia no sábado, às 17:00, num projeto que nasce de uma residência artística da Companhia Instável.

"Ballet de Causa Única" estreia-se a 30 de abril, às 22:00, no DDD, em Matosinhos, e junta o coreógrafo austríaco Willi Dorner à Companhia Instável, num espetáculo com figurinos do 'designer' Estelita Mendonça.

A obra "Ballet de Causa Única" resulta de uma residência de criação, encomendada e produzida para celebrar o 20.º aniversário da companhia, uma coprodução com o Teatro Municipal do Porto, com o apoio à internacionalização da Fundação Calouste Gulbenkian.

O DDD e o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI) juntaram este ano as respetivas edições, até 25 de maio, em 27 palcos distribuídos pelo Porto, Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Viana do Castelo - estas, as quatro cidades organizadoras -, e ainda Felgueiras.

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