Comissário Carlos Moedas quer linguagem mais simples para explicar o cancro às pessoas

O comissário Europeu Carlos Moedas defendeu hoje no Porto que a Europa deve arranjar uma maneira de explicar de forma fácil às pessoas aquilo que está a ser feito no combate ao cancro.

Discursando no encerramento da primeira edição da 'Gago Conference', que decorreu no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), em homenagem ao antigo ministro da Ciência Mariano Gago, o comissário para Investigação, Ciência e Inovação referiu que "nos últimos 20 anos perdeu-se um bocadinho a relação entre as pessoas e a ciência, porque a ciência se tornou mais complicada e complexa".

"Por isso nós temos que arranjar uma maneira de explicar de forma fácil às pessoas aquilo que estamos a fazer", disse à agência Lusa Carlos Moedas, para quem a "ideia de criar uma missão, seja na área da saúde, da energia ou da alimentação são maneiras de comunicar com as pessoas".

A título de exemplo, argumentou que se for dito a alguém que se está "a mapear o cérebro humano", ela "não perceberá o que isso quer dizer", mas se for dito, "que na Europa se quer chegar a curar uma doença como a Alzheimer isso vai ligar as pessoas".

"Isso vai torna-las orgulhosas de serem europeias e de a Europa ter conseguido lá chegar e vai criar uma dinâmica também para os próprios políticos de terem a capacidade de investir mais, uma vez que a população vai pedir esse investimento, por ser algo que conseguem perceber", frisou.

Citando como bom exemplo de partilha o sucedido na Suécia onde, salientou, "a ciência tem que ver com a abertura aos dados de saúde, informação e transparência".

"Seria muito importante para uma pessoa que tem uma doença rara e cujo tratamento não se consegue encontrar por ser rara que esses dados estivessem abertos em toda a Europa, pois permitiria um maior desenvolvimento em termos de ciência e de cura", elogiou.

E prosseguiu: "os dados abertos, hoje em dia, são a melhor maneira de na ciência ter resultados que cheguem às pessoas e também possam ser utilizados no futuro".

A finalizar um dia dedicado à investigação em torno do cancro e antecipando a próxima reunião do Conselho de Ministros onde está previsto debater a participação portuguesa na Rede Europeia de Investigação, Carlos Moedas disse à Lusa ver "com grandes olhos" essa possibilidade.

"Fico muito contente com a possibilidade de Portugal integrar a rede europeia de investigação. Tanto o homenageado, Mariano Gago, como (o patologista) Sobrinho Simões são referências em todo o mundo e termos a capacidade de ter em Portugal essa rede é fantástico e mostra mais uma vez que Portugal, na área da ciência, está a liderar", concluiu o comissário europeu.

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