Cinema português tem fulgor criativo, mas precisa de condições - Diogo Costa Amarante

O realizador português Diogo Costa Amarante afirmou à agência Lusa que o cinema português tem um "fulgor criativo" que é reconhecido internacionalmente, mas em Portugal precisa das "melhores condições possíveis" para poder existir.

Um ano depois de ter vencido o prémio Urso de Ouro com o filme "Cidade Pequena", Diogo Costa Amarante regressa ao Festival de Cinema de Berlim como membro do júri das curtas-metragens, a secção que conta este ano com três filmes portugueses em competição.

Em declarações à agência Lusa nas vésperas de partir para Berlim, Diogo Costa Amarante admitiu que "nos maiores e mais importantes festivais de cinema há uma unanimidade no que toca ao reconhecimento do fulgor do cinema português".

E o festival de Berlim, que começa na quinta-feira, é exemplo disso. Além da presença regular de filmes portugueses nas diferentes secções, três produções nacionais venceram recentemente o Urso de Ouro de melhor curta-metragem: "Rafa" (2012), de João Salaviza, "Balada de um batráquio" (2016), de Leonor Teles, e "Cidade Pequena" (2017), de Diogo Costa Amarante.

Para este realizador, os responsáveis políticos devem "tomar consciência do que está a acontecer" e "garantir as melhores condições possíveis para que esses realizadores possam continuar a desenvolver o seu trabalho e a crescer".

"O que sustenta o número crescente de realizadores é o facto de ainda existir em Portugal um ambiente favorável à liberdade criativa, que permite aos artistas expressarem-se sem constrangimentos, complexos ou 'templates'", disse.

Em 2017, mais de 500 personalidades portuguesas e estrangeiras ligadas ao setor do cinema, entre as quais realizadores, atores, produtores e técnicos, subscreveram e divulgaram no festival de Berlim uma carta aberta de protesto ao Governo português contra a nova regulamentação da lei do cinema e audiovisual.

Um ano depois, a nova regulamentação continua por aprovar e os concursos de apoio financeiro de 2018 ainda não foram abertos, mas Diogo Costa Amarante considera que o protesto "provocou uma discussão bastante séria" sobre as obrigações da tutela para com o cinema português.

O Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) tem obrigação de "garantir a idoneidade, a imparcialidade e a transparência dos júris nomeados para os diferentes concursos", sublinhou.

Diogo Costa Amarante lamenta que "o sucesso incontestável das curtas-metragens portuguesas no circuito dos festivais internacionais de cinema" não tenha, depois, repercussão no apoio às primeiras longas-metragens desses mesmos realizadores.

O cineasta recorda que, nos concursos do ICA de 2017, apenas dois projetos de primeiras longas-metragens receberam apoio financeiro, "o que é manifestamente desproporcionado face ao número de novos realizadores".

Diogo Costa Amarante, 35 anos, está a produzir uma nova curta-metragem, que provisoriamente se chama "O verde do jardim", e a escrever a primeira longa-metragem, que conta filmar em 2019. Em ambas, tal como em "Cidade pequena", os laços familiares voltam a ter um lugar importante.

Um ano depois de ter vencido o prémio em Berlim, o realizador disse que as rotinas profissionais são as mesmas - "pensar e escrever novos projetos" - e que a mudança maior foi ter tido mais atenção dos programadores de cinema e maior circulação internacional de "Cidade pequena".

Em Berlim, enquanto membro do júri vai "tentar ver o máximo de filmes que conseguir durante os dez dias do festival".

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