Chefias de segurança de Angola, RDCongo e Congo reunidas para reforço da cooperação

Luanda, 18 jun 2019 (Lusa) - As chefias de segurança de Angola, República Democrática do Congo (RDCongo) e do Congo estão reunidas hoje, em Luanda, para a conformação de aspetos de segurança na sub-região e desenvolvimento harmonioso dos países.

Na sua intervenção, o ministro e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República de Angola, Pedro Sebastião, defendeu a necessidade de se cimentar cada vez mais as relações de boa vizinhança no interesse dos respetivos povos.

"Temos a responsabilidade de cimentar as nossas relações, por isso é sempre bom falarmos de aspetos que conformam a nossa segurança, matéria muito importante para o bem-estar das nossas populações e desenvolvimento dos nossos países", disse Pedro Sebastião na abertura do encontro dos chefes de segurança dos três países, na capital angolana.

Pedro Sebastião, citado pela agência noticiosa angolana, Angop, enalteceu a paz que vigora na região, pressuposto principal para "uma relação frutuosa sem sobressaltos".

A reunião conta com a presença, pela parte da RDCongo, do conselheiro especial para as Questões de Segurança do chefe de Estado, François Beya Kassanga, e, pela parte da República do Congo, do secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional, Jean Dominique.

Angola partilha com a RDCongo uma fronteira terrestre de 2.500 quilómetros e com a República do Congo uma fronteira comum de 201 quilómetros, junto ao enclave da província angolana de Cabinda, sendo intenso o fluxo migratório entre as populações.

Em setembro de 2018, Angola lançou uma mega campanha de combate à imigração ilegal e ao tráfico ilícito de diamantes, denominada Operação Transparência, que permitiu o repatriamento "voluntário" de 455.022 estrangeiros sem documentação adequada, na sua grande maioria oriundos da RDCongo.

A nível regional, os três países integram várias organizações, nomeadamente a Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos, presidida em dois mandatos por Angola, que até janeiro de 2018 teve como principal foco o alcance da estabilidade política na RDCongo, a Comunidade Económica dos Estados da África Central e a União Africana.

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