Centro Cultural Português em Cabo Verde lança livro sobre pianista "Dona Tututa"

O Centro Cultural Português em Cabo Verde vai assinalar, na quarta-feira, o Dia da Mulher Cabo-Verdiana, com o lançamento de um livro que é uma homenagem à compositora e pianista Tututa Évora, cujo centenário do nascimento se comemora este ano.

O lançamento do livro "Tututa Composições" irá decorrer nas instalações do Centro Cultural Português, na cidade da Praia, e contará com a apresentação do músico Mário Lúcio e a presença da filha da homenageada, Lourdes Pereira, que é a autora da recolha, da coordenação e produção da obra.

Segundo nota da Embaixada de Portugal na cidade da Praia, o evento contará ainda com dois momentos musicais, o primeiro pela Escola de Música Pentagrama e o segundo pelo quarteto composto por Janito, Mick, Djick e Hermano.

No passado dia 06 de janeiro celebrou-se o centenário do nascimento desta compositora e pianista cabo-verdiana, autora de algumas das mais importantes composições em Cabo Verde.

O centenário foi assinalado com várias atividades culturais e a inauguração de um busto na ilha do Sal.

Epifania de Freitas Silva Ramos Évora, tratada carinhosamente em Cabo Verde por "Dona Tututa", nasceu a 06 de janeiro de 1919, no Mindelo (ilha de São Vicente), cidade onde despontou como grande pianista e foi igualmente professora de piano.

Foi autora de temas como "Grito de Dor", "Sentimento", "Mãe Tigre" ou "Vida Torturod". Viveu e morreu, a 26 de janeiro de 2014, na ilha do Sal.

Mãe de 14 filhos, Tututa Évora ficou conhecida pela melancolia das suas letras e elogiada pelo "swing da mão esquerda", que fez escola na interpretação ao piano na música popular de Cabo Verde.

A "virtuosa e original" pianista foi dada a conhecer ao mundo através de um retrato fílmico sobre a sua vida, do realizador português João Alves da Veiga, descendente de cabo-verdianos.

Reconhecida como "figura lendária" em Cabo Verde, mas praticamente desconhecida fora dele, "Dona Tututa" foi homenageada ainda em vida, ao ver o seu nome atribuído à Escola Municipal de Artes do Sal.

"Quando estou agarrada ao piano parece que estou no céu, lugar onde nunca estive", afirmou, entre risos.

Aquando da sua morte, o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, referiu-se a "Dona Tututa" como "um retrato singelo de uma vida longa e preciosa, caldeada de melodias, de músicas, através das quais venceu preconceitos, superou barreiras edificadas pelos tempos. Teve um percurso singular, de alguém que marcou a sua época, cuja vivência simboliza naturalmente a cabo-verdianidade".

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