Centeno optou por posição "sensata" sobre salários na Função Pública - UGT

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, considerou hoje que o ministro das Finanças optou por uma "posição sensata", deixando a discussão em torno dos aumentos salariais na Administração Pública para as negociações do Orçamento do Estado para 2019.

"Fico satisfeito pelo ministro das Finanças ter optado por uma posição sensata. Esta sensatez nunca deveria ter abandonado o discurso do Governo", disse Carlos Silva em declarações à agência Lusa, sustentando que não fazia sentido nesta altura que se estivesse a determinar que não há condições para fazer aumentos na Função Pública em 2019.

"Entendemos que essa matéria deve ser discutida no seio do Orçamento do Estado para 2019, que será em outubro. Esta posição revela sensatez, reabre as portas do diálogo social com o Governo e com os sindicatos naturalmente e permite que se retoma um clima de confiança no processo negocial dos trabalhadores da Administração Pública com os seus representantes que são os sindicatos", indicou.

Carlos Silva considera, assim, que será possível que haja aumentos salariais, mas avisou que será sempre necessário enquadrar esta discussão no quadro do Orçamento do Estado do próximo ano.

"Vamos ver qual o ritmo do crescimento económico, qual é o ritmo da evolução do cumprimento do défice, da redução da divida pública", exemplificou.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu hoje a possibilidade de aumentos na Função Pública em 2019, dependendo "dos equilíbrios que forem encontrados para o Orçamento do Estado para 2019".

"Nunca me ouviu dizer a palavra nunca e também não vai ser agora", disse o governante hoje em entrevista à TSF, depois do primeiro-ministro António Costa ter considerado, na segunda-feira, extemporâneo colocar agora a questão sobre aumentos da função pública em 2019 e ter referido que no próximo ano continuará a política de descongelamento das carreiras.

Sublinhando que o orçamento é "um exercício de equilíbrio", Centeno diz que há um conjunto de matérias "muito significativas" do lado da Administração Pública que o Governo tem vindo a concretizar, como o descongelamento das progressões, que vai prosseguir em 2019 e que tal significa um aumento de quase 400 milhões de euros das despesas com pessoal.

De acordo com o ministro, este aumento vai aproximar-se "de todos" já que "80% é o número estimado dos funcionários cuja progressão não depende do tempo e que vão ter progressões em 2018".

"Ao longo dos próximos 2 a 3 anos todos os trabalhadores vão progredir", disse ainda Centeno, recordando também que será iniciado um programa de recrutamento na Administração Pública para áreas que têm estado muito fechadas nos últimos anos.

"É um caminho que está a ser feito, vai continuar a ser feito, e os equilíbrios que forem encontrados no âmbito do orçamento de 2019 ditarão qual é o seu desenho final", conclui o ministro.

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