Centeno diz que 72% dos precários tiveram 'luz verde' para ingressar no Estado

Lisboa, 26 abr 2019 (Lusa) -- O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse hoje no parlamento que 72% dos trabalhadores que recorreram ao programa de regularização extraordinária dos vínculos precários do Estado (PREVPAP) tiveram parecer favorável, recusando que haja atrasos no processo.

"Foram apreciadas na administração direta e indireta do Estado e no setor empresarial do Estado 32.785 situações", começou por dizer o ministro das Finanças no debate no plenário da Assembleia da República sobre o PREVPAP.

"Dessas, das que não foram consideradas não admitidas por razões várias e se retirarmos também aqueles já tinham hoje um contrato de trabalho com o Estado, 72% dessas outras situações foram apreciadas de forma positiva, com pareceres favoráveis e 28% com pareceres desfavoráveis", acrescentou Mário Centeno.

Por sua vez, o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, afirmou que "quando o programa terminar mais de 16 mil trabalhadores com vínculos precários vão estar regularizados", considerando tratar-se de "uma significativa regularização".

Perante as críticas dos deputados relacionadas com os atrasos no processo, o ministro das Finanças defendeu que "não há nenhum atraso", sublinhando que "as situações desfavoráveis seguem um processo que é rigoroso, sério, robusto e muito transparente com audiências individuais a cada uma dessas situações".

"Não há nenhuma situação que esteja parada", garantiu Mário Centeno, adiantando que apenas na comissão de avaliação de Educação há ainda processos pendentes.

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1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?