CDS quer fiscalização do uso de carros da Câmara de Ovar pelo presidente

O CDS de Ovar requereu hoje à Assembleia Municipal que fiscalize o último meio ano de utilização das viaturas da Câmara Municipal para verificar em que medida foram utilizadas pelo presidente em deslocações não relacionadas com atividade autárquica.

Fernando Camelo Almeida, deputado do CDS na Assembleia Municipal de Ovar, quer que o órgão do município averigue "a utilização de viaturas municipais para fins não condizentes com a atividade autárquica" por considerar "imprescindível evitar especulações sobre esta matéria" e garantir, "com total transparência, um cabal esclarecimento junto da população".

O CDS pede, em específico, "extratos de Via Verde relativos aos últimos seis meses" de utilização de todas viaturas ao serviço do Executivo, entre as quais um Volvo S80 e um Lexus LS500h, e também "extratos de cartões de combustível" e "informação sobre todas as multas e transgressões rodoviárias" associadas a esses automóveis.

O jornal 'online' Observador noticiou na sexta-feira que o presidente da câmara de Ovar "alugou recentemente um carro de luxo por mais de 2000 euros mensais" e que "o carro de serviço do município tem sido utilizado pelo autarca nas constantes deslocações a Lisboa para tratar de assuntos da direção do partido".

Salvador Malheiro disse, em declarações à Lusa, que o referido automóvel "só seria de luxo se fosse novo".

"Neste caso, o carro já tinha ano e meio quando veio para a Câmara em regime de 'leasing operacional' e está a um valor igual ou equivalente à maioria dos carros híbridos utilizados pelas autarquias portuguesas, que agora têm que se preocupar mais com as questões ambientais", adiantou.

O presidente da câmara referiu também que "por uma questão de rentabilização de recursos e economia de meios", sempre que tem que fazer deslocações a Lisboa procura "otimizar a agenda para incluir na mesma viagem o maior número possível de reuniões".

O autarca considerou natural combinar no mesmo dia "funções do PSD e reuniões com diferentes ministérios, responsáveis da Infraestruturas de Portugal". "Fui eleito presidente de Câmara pelo PSD e esse cargo não pode ser dissociado da minha ligação ao partido", afirmou.

Salvador Malheiro considerou que as questões levantadas a propósito da utilização dos automóveis "são motivadas por mera perseguição política" ou não deixariam de fora "outras figuras do panorama político nacional".

"António Costa nunca usou um carro municipal ao serviço do PS durante os oito anos em que foi presidente da Câmara de Lisboa?", questionou.

O Departamento Administrativo, Jurídico e Financeiro da câmara de Ovar, não negando a presença das viaturas municipais em eventos da estrutura nacional do PSD, informou ainda a Lusa que o uso desses veículos "insere-se no domínio da sua afetação ao exercício das funções cometidas ao presidente do executivo, nomeadamente em matéria de representação política, a par da participação em várias reuniões de trabalho e sessões públicas e privadas com diferentes entidades e organismos".

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