Catarina Botelho, Pedro Neves Marques e João Laia com apoio da Fundação "La Caixa"

Os artistas portugueses Catarina Botelho, Pedro Neves Marques e João Laia estão entre os 11 projetos selecionados nos concursos de apoio à produção de obras de arte e de curadoria da Fundação "La Caixa", anunciou hoje a entidade.

De acordo com a organização dos concursos, Catarina Botelho foi distinguida pelo projeto "O Tempo das Coisas", e Pedro Neves Marques com o projeto "YWY, Visões", ambos na categoria de apoio à produção de obras de arte, enquanto João Laia foi distinguido com o projeto "Em Queda Livre", na categoria de apoio à curadoria.

Os concursos na área da arte contemporânea foram anunciados no ano passado, quando a entidade divulgou que iria destinar dez milhões de euros para o desenvolvimento de iniciativas sociais, científicas e culturais em Portugal.

A Fundação "la Caixa", uma das maiores instituições financeiras espanholas, iniciou este ano a sua implantação em Portugal, consequência da entrada do BPI no Grupo CaixaBank.

De um total de 302 projetos, 45 provenientes de Portugal, foram selecionados 11 no concurso Apoio à Criação -- Coleção de Arte Contemporânea "La Caixa".

"O Tempo das Coisas", de Catarina Botelho, é um vídeo de 30 minutos composto por duas linhas de investigação, gerando duas narrativas: a primeira (imagem e som) será uma forma de criar uma temporalidade cinematográfica que permita que a segunda (voz off/narração) tenha lugar, de acordo com a descrição do projeto.

"A artista busca criar tempos/espaços que permitam ao espectador, face à atual saturação de informação, refletir. Com este vídeo quer-se abrir uma brecha no tempo acelerado e individualista, criar uma ilha de quietude", acrescenta.

Quanto a "YWY, Visões", de Pedro Neves Marques, também se trata de um vídeo de aproximadamente 30 minutos, tendo como atriz principal Zahy Guajajara, indígena do Maranhão, no Brasil, com quem o artista já filmou anteriormente.

"Trata-se de uma película narrativa a partir de um guião de ficção científica que decorre no Brasil, e possivelmente também numa Europa tanto futurista quanto atual", de acordo com a organização dos concursos.

"Em Queda Livre", de João Laia, utiliza como referência maior "A Queda Sem Fim", de José A. De Bragança, uma obra em que o autor utiliza a imagem de queda como metáfora para o clima de transformação acelerada em curso, "onde a progressiva desmaterialização das imagens, narrativas e objetos que serviam de alicerce à nossa sociedade, resulta num sentimento generalizado de abismo".

A proposta foca-se em trabalhos produzidos desde 1969 até hoje, utilizando o abandono dos acordos de Bretton Woods em 1971 e a consequente desmaterialização da economia como evento decisivo para o período contemporâneo.

"Tendo como ponto de partida esse evento central para a financialização das nossas sociedades, o projeto avança para o momento atual propondo uma contextualização de dinâmicas subjetivas no interior de movimentos sociais alargados", adianta ainda.

De acordo com a Fundação "La Caixa", o apoio à produção artística "pretende ser uma força motriz para os artistas que necessitam de apoio económico e profissional para produzir uma obra de arte".

O número de produções não é fixo, dependendo do orçamento total das obras que se decida produzir, e o valor atribuído a cada artista também varia consoante as propostas apresentadas.

O apoio económico inclui os honorários para os artistas e o custo da produção da obra, e a Fundação "la Caixa" oferecerá assessoria e acompanhamento aos artistas selecionados, bem como a possibilidade de aceder a outros recursos externos para complementar o projeto.

O apoio à curadoria concede três bolsas para realizar exposições no CaixaForum Barcelona, em Espanha, onde os curadores podem escolher entre as mais de mil obras que compõem a coleção "la Caixa" e também o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, que coloca as suas coleções à disposição dos curadores, reunindo obras de autores como Joseph Beuys, Antoni Tàpies, Gerhard Richter, Bruce Nauman ou Juan Muñoz.

As exposições são incluídas no programa anual da CaixaForum Barcelona, ficando em aberto a possibilidade de se tornarem itinerantes, bem como a possibilidade de serem estabelecidas possíveis colaborações com outras instituições.

Cada um dos curadores selecionados receberá 6.000 euros pelo seu projeto e contará com os recursos e assessoria da equipa da exposição da Fundação "la Caixa", de acordo com o regulamento dos concursos.

Este programa "está ligado a uma intenção histórica da Fundação "la Caixa": aumentar a capacidade de gerar conhecimento e sensibilidade para a arte mais atual".

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