Catalunha: Corte de estradas para protestar contra julgamento de separatistas

Grupos de separatistas cortaram hoje várias estradas na Catalunha, nas primeiras horas de uma greve geral na região, em protesto contra o julgamento de 12 dirigentes envolvidos na tentativa de independência de 2017.

Os serviços de trânsito da região informaram da interrupção da circulação em duas dezenas de vias de comunicação, nomeadamente na autoestrada A7 que liga a Espanha à França, a A2 entre Madrid e Barcelona, assim como as principais entradas na capital catalã.

Ativistas do grupo radical Comités de Defesa da República (CDR) também impediram a circulação de comboios em duas linhas, segundo a empresa responsável pelos caminhos de Ferro Renfe.

A greve foi convocada por um pequeno sindicato independentista (CSJ) para protestar contra o julgamento de doze líderes separatistas iniciado no Tribunal Supremo, em Madrid, na semana passado.

A paragem de trabalho é apoiada por partidos e associações pró-independência, mas não pelos grandes sindicatos espanhóis, como a União Geral de Trabalhadores ou as Comissões Obreras.

As entidades patronais denunciaram a realização da greve, considerando que está a ser utilizada para fins políticos e, por isso, proibida em Espanha.

Apesar de, formalmente, não apelar à greve, o governo separatista regional cancelou todas as atividades previstas para hoje.

O julgamento dos 12 dirigentes independentistas catalães iniciou-se na terça-feira da semana passada e deverá demorar três meses, com a sentença a ser conhecida antes das férias de verão, segundo previsão feita pelo tribunal.

O julgamento está a ser transmitido em direto pela televisão e a ser seguido por mais de 600 jornalistas e 150 meios de comunicação social espanhóis e estrangeiros.

O Ministério Público pediu penas que vão até 25 anos de prisão contra os acusados, por alegados delitos de rebelião, sedição, desvio de fundos e desobediência.

O principal acusado no julgamento dos independentistas catalães, o ex-vice-presidente do governo regional Oriol Junqueras, disse na semana passada em tribunal que se considera um "prisioneiro político" que está a ser julgado pelas suas ideias.

No banco dos réus estão também vários ex-membros do antigo executivo regional, a antiga presidente do Parlamento catalão e os dirigentes de duas poderosas associações cívicas

A figura principal da tentativa de independência, o ex-presidente do Governo regional catalão Carles Puigdemont, que fugiu para a Bélgica, é o grande ausente neste processo, visto que Espanha não julga pessoas à revelia em delitos com este grau de gravidade.

Após realizar a 01 de outubro de 2017 um referendo sobre a independência proibido pela justiça, os separatistas catalães proclamaram a 27 de outubro do mesmo ano uma República catalã independente, decisão que levou o executivo de Rajoy a destituir Carles Puigdemont e a dissolver o parlamento regional.

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