Catalunha: 13.000 pessoas em Barcelona contra julgamento de separatistas

Os movimentos separatistas manifestaram-se hoje na Catalunha contra o julgamento de 12 dos seus dirigentes em Madrid, tendo uma concentração reunidos cerca de 13.000 pessoas no centro de Barcelona, segundo a polícia local.

Os independentistas manifestaram o seu apoio à "greve geral" convocada para protestar contra o julgamento em Madrid de 12 dirigentes envolvidos na tentativa de independência de 2017.

Os manifestantes empunhavam bandeiras independentistas e fotos dos presos com inscrições a dizer "inocentes", assim como cartazes com frases como "Este julgamento é uma farsa" ou "Unidade" e palavras de ordem como "liberdade para os presos políticos" ou "01 de outubro, nem esquecimento nem perdão".

Segundo informou a Secretaria Regional da Administração Interna do Governo catalão, foram detidas três pessoas e outras 22 foram atendidas pelos serviços de socorro médico hoje de manhã, durante os cortes ao trânsito ocorridos em várias vias de comunicação.

Várias concentrações de pessoas tiveram também lugar noutras localidades da Catalunha e está prevista uma manifestação unitária em Barcelona a partir das 18:00 locais (17:00 em Lisboa).

O dia começou com vários grupos de radicais dos Comités de Defesa da República (CDR) a cortar várias estradas na Catalunha.

Os serviços de trânsito da região informaram da interrupção da circulação em duas dezenas de vias de comunicação, nomeadamente na autoestrada A7 que liga a Espanha à França, a A2 entre Madrid e Barcelona, assim como as principais entradas na capital catalã.

Os CDR também impediram a circulação de comboios em duas linhas, segundo a empresa responsável pelos caminhos de ferro Renfe.

A greve foi convocada por um pequeno sindicato independentista (CSJ) para protestar contra o julgamento de 12 líderes separatistas iniciado no Tribunal Supremo, em Madrid, na semana passado.

A paragem de trabalho é apoiada por partidos e associações pró independência, mas não pelos grandes sindicatos espanhóis, como a União Geral de Trabalhadores ou as Comissões Operárias.

As entidades patronais denunciaram a realização da greve, considerando que está a ser utilizada para fins políticos e, por isso, proibida em Espanha.

Apesar de, formalmente, não apelar à greve, o governo separatista regional cancelou todas as atividades previstas para hoje.

O julgamento dos 12 dirigentes independentistas catalães iniciou-se na terça-feira da semana passada, no Tribunal Supremo e Madrid, e deverá demorar três meses, com a sentença a ser conhecida antes das férias de verão.

O Ministério Público pediu penas que vão até 25 anos de prisão contra os acusados, por alegados delitos de rebelião, sedição, desvio de fundos e desobediência.

O principal acusado no julgamento dos independentistas catalães, o ex-vice-presidente do governo regional Oriol Junqueras, disse na semana passada em tribunal que se considera um "prisioneiro político" que está a ser julgado pelas suas ideias.

No banco dos réus estão também vários ex-membros do antigo executivo regional, a antiga presidente do Parlamento catalão e os dirigentes de duas poderosas associações cívicas

A figura principal da tentativa de independência, o ex-presidente do Governo regional catalão Carles Puigdemont, que fugiu para a Bélgica, é o grande ausente neste processo, visto que Espanha não julga pessoas à revelia em delitos com este grau de gravidade.

Após realizar a 01 de outubro de 2017 um referendo sobre a independência proibido pela justiça, os separatistas catalães proclamaram a 27 de outubro do mesmo ano uma República catalã independente, decisão que levou o executivo central de Mariano Rajoy a destituir Carles Puigdemont e a dissolver o parlamento regional.

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