Candidata às presidenciais na Nigéria desiste para se candidatar às legislativas

A principal candidata às eleições presidenciais de fevereiro na Nigéria, Oby Ezekwesili, retirou-se hoje da corrida para formar uma coligação alternativa aos dois tradicionais partidos de Governo nas eleições legislativas, anunciou a própria.

Oby Ezekwesili, 55 anos, do Partido Aliado do Congresso da Nigéria, explicou, em declarações à imprensa, que decidiu retirar-se da corrida presidencial "após vastas consultas com dirigentes de diversos quadrantes políticos em todo o país".

Acrescentou que irá agora "concentrar-se na construção de uma verdadeira coligação para assegurar uma alternativa viável" aos tradicionais partidos de Governo, o Partido Popular Democrático (PDP), entre 1999 e 2015, e o Congresso dos Progressistas (APC), desde 2015.

Os dois principais partidos têm poucas diferenças ideológicas e os candidatos mudam regularmente de lado entre atos eleitorais.

Antiga ministra da Educação e vice-presidente do Banco Mundial, Oby Ezekwesili destacou-se nos últimos anos pelo seu papel de ativista do movimento #BringBackOurGirls, que luta pela libertação das raparigas raptadas pelo grupo extremista Boko Haram.

"Uma larga coligação para uma alternativa viável tornou-se mais necessária do que nunca", defendeu Ezekwesili, adiantando que trabalhará num candidato de consenso que será apoiado pelos pequenos partidos.

Os pequenos partidos da oposição assinaram no ano passado um acordo para apresentar um candidato único contra os representantes dos dois principais partidos.

Os analistas estimam que apenas uma ampla coligação das forças partidárias mais pequenas poderá contestar o domínio do APC e do PDP.

Em 2015, o APC conseguiu vencer o PDP aliando-se aos partidos marginais e a dissidentes do PDP.

Mais de 84 milhões de eleitores estão inscritos para votar nas eleições gerais de fevereiro, na Nigéria, um aumento de 18% relativamente há quatro anos.

Os eleitores do país mais populoso de África vão às urnas a 16 de fevereiro para eleger um novo parlamento e um novo Presidente, com a eleição dos governadores e assembleias dos estados a realizarem-se duas semanas mais tarde.

Setenta e três candidatos e 91 partidos políticos apresentam-se às eleições, incluindo o atual chefe de Estado, Muhammadu Buhari, que espera conseguir renovar o mandato de quatro anos.

O Presidente Muhammadu Buhari, 76 anos, vai disputar a reeleição e irá defrontar o seu antigo aliado Atiku Abubakar, 72 anos, que foi vice-presidente do país entre 1999 e 2007.

No parlamento, estão em disputa 109 assentos no senado e 360 na câmara dos representantes, enquanto as eleições para o cargo de governador deverão ter lugar em 29 dos 36 estados e na capital federal, Abuja.

A Nigéria é um dos 21 países do continente africano que, ao longo de 2019, realizam eleições presidenciais, legislativas ou regionais.

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