Câmara de Monção "atenta e vigilante" a prospeção de minerais

Monção, Viana do Castelo, 19 abr 2019 (Lusa) - O presidente da Câmara de Monção, no Alto Minho, informou hoje que o executivo municipal está "atento e vigilante" ao desenvolvimento de um requerimento apresentado por uma empresa australiana para prospeção de depósitos minerais no concelho.

Em causa, segundo António Barbosa, está "um aviso publicado, no dia 20 de março, em Diário da República (DR), em que se anuncia que uma empresa australiana requereu a atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais, entre os quais lítio, para a área de Fojo, localizada nos concelhos de Arcos de Valdevez, Melgaço e Monção".

"O executivo municipal de Monção está atento e vigilante a todos os passos nesta matéria", avisou o autarca social-democrata, citado numa nota divulgada hoje.

No documento, António Barbosa sublinhou que "a identidade ambiental do território é um bem inestimável que tudo fará para o proteger".

"Os interesses da população monçanense estarão sempre em primeiro lugar, em detrimento de qualquer interesse económico", assegurou.

António Barbosa garantiu que "o executivo municipal está em permanente contacto com as câmaras vizinhas de Melgaço e Arcos de Valdevez, no sentido de preparar uma reclamação fundamentada à Direção-Geral de Energia e Geologia dentro do prazo estabelecido no aviso publicado no Diário da República".

Na quarta-feira, o presidente da Câmara de Melgaço, Manoel Batista, informou que será apresentada, até 03 de maio, uma reclamação, sustentada por um parecer técnico já em elaboração, junto da Direção-Geral de Energia e Geologia para contestar o requerimento apresentado pela empresa australiana.

O autarca "tranquilizou" a população, assegurando que "o tema está a ser objeto de análise técnica e adiantou que "todas as diligências a desenvolver sobre este assunto serão sempre em articulação com os municípios de Arcos de Valdevez, Melgaço e Monção".

Manoel Batista garantiu que não permitirá que "um bem único como a paisagem do território seja colocado em causa".

A procura mundial pelo lítio, usado na produção de baterias para automóveis e placas utilizadas no fabrico de eletrodomésticos, está a aumentar e Portugal é reconhecido como um dos países com reservas suficientes para uma exploração comercial economicamente viável.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?