Biblioteca de Ponta Delgada disponibiliza cartas originais de Antero de Quental

Ponta Delgada, Açores, 24 abr 2019 (Lusa) -- Doze cartas manuscritas pelo escritor açoriano Antero de Quental, compradas pela autarquia de Ponta Delgada, vão passar a estar disponíveis em suporte digital para consulta na biblioteca da maior cidade dos Açores, foi hoje anunciado.

Antero de Quental nasceu em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, nos Açores, em 1842 e suicidou-se em 1891 na sua cidade natal, aos 49 anos.

Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra e privou com nomes da cultura portuguesa, como Eça de Queirós e Ramalho Ortigão.

Hoje o município de Ponta Delgada cedeu, a título de depósito, à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, o acervo de 12 cartas manuscritas originais da autoria de Antero de Quental, adquiridas em 2002 pela autarquia.

Ao abrigo do protocolo hoje assinado ficam depositadas na Biblioteca de Ponta Delgada estas 12 cartas originais do poeta, que ficam assim disponíveis para consulta por investigadores, estudantes e população em geral.

Após a assinatura do protocolo que firmou a entrega, o presidente da autarquia de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, sublinhou a parceria com o Governo dos Açores, destacando que aqueles originais "ficam bem entregues na biblioteca".

"É uma honra para o município. Sempre entendi que este seria o lugar próprio não apenas para arquivo, mas sobretudo para disponibilização aos investigadores e consulta", salientou o autarca, destacando o significado da cerimónia que permite também celebrar o dia municipal de Antero de Quental, criado pelo município, na data do nascimento do poeta, a 18 de abril.

José Manuel Bolieiro disse que os serviços da câmara, nomeadamente o arquivo e documentação, "não ficam penalizados por essa disponibilização, face a excelência e capacidade que até hoje tiveram de manter nas melhores condições aquele património" de Antero de Quental

O secretário regional da Educação e Cultura referiu-se ao protocolo como "um verdadeiro compromisso de conservação de uma herança cultural de valor inestimável".

Avelino Meneses disse que "as bibliotecas e arquivos funcionam como guardiãs dos vestígios escritos de outrora", mas realçou que àquelas instituições compete "uma função ainda mais determinante de facilitação da consulta pública que contribua para a circulação da informação cultural, cujos destinatários são necessariamente os cidadãos".

O governante adiantou ainda que, nos Açores, "nos últimos anos, as bibliotecas e arquivos registaram progressos de vulto, fruto da construção de novas instalações e da formação de mais técnicos", mas considerou que "há desafios que ainda perduram".

"E o projeto maior consiste na disponibilização ordenada em suportes modernos e seguros dos valiosos conteúdos das nossas bibliotecas e arquivos, acrescentou", lembrando que, durante 2019, foi feito "o aumento dos inventários 'on line' contendo mais registos", num trabalho desenvolvido pelas bibliotecas e arquivos regionais, e também pela Casa da Autonomia, através do denominado projeto Autonomia digital".

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