Berkeley Energia garante que "nada está a impedir" que a mina de urânio de Retortillo avance

O vice-presidente da empresa Berkeley Energia, Francisco Bellón, assegurou hoje que "não há nada que esteja a impedir" que o projeto da mina de urânio de Retortillo, perto da fronteira de Portugal, avance.

O gestor fez estas declarações aos jornalistas em Salamanca, antes de informar sobre a oferta pública inicial (IPO) da empresa mineira australiana no mercado principal da Bolsa de Londres e proximamente no mercado contínuo da Bolsa de Madrid.

Francisco Bellón disse que o projeto de Retortillo "está completamente financiado", mas que esta operação financeira permitirá a quem manifestou interesse em investir na empresa poder fazê-lo.

Enquanto o gestor falava aos jornalistas no exterior do Colégio Fonseca, um reduzido grupo de pessoas, vigiado muito de perto pela Polícia Nacional espanhola, expressava com cartazes e gritos a sua oposição à mina de urânio.

Entretanto, também a Comissão de Energia, Turismo e Agenda Digital do parlamento espanhol pediu hoje ao Governo de Madrid para parar o projeto da empresa Berkeley de instalação de uma mina de urânio em Retortillo.

Os deputados da comissão parlamentar também pedem a Madrid para dar toda a informação sobre o projeto ao Governo português, como parte interessada, tomando em consideração as implicações que teria no país.

A Comissão de Energia, Turismo e Agenda Digital do Congresso dos Deputados (parlamento), aprovou, por unanimidade, um relatório sobre as atividades do Conselho de Segurança Nuclear (CSN) espanhol, que inclui várias resoluções, entre as quais uma relacionada com o futuro da instalação mineira de Retortillo.

Os parlamentares solicitaram ao executivo espanhol a garantia de manutenção dos níveis ambientais e sanitários da região e ao CSN o envio, antes do final de junho, de um relatório detalhado com o ponto da situação da avaliação do pedido de autorização da construção da mina de urânio.

O projeto "Salamanca" da empresa Barkeley prevê um investimento total de 250 milhões de euros, a criação de 450 postos de trabalho diretos e 2.000 indiretos, estando o começo da produção previsto para 2019.

Os ministérios portugueses do Ambiente e dos Negócios Estrangeiros anunciaram em 24 de maio último que a Espanha tinha prestado "informação detalhada" sobre os projetos de exploração mineira de urânio de Salamanca e de Retortillo-Santidad, em zonas fronteiriças, garantindo que Portugal será envolvido no processo.

Essa declaração foi feita no final de uma reunião, a pedido de Portugal, que teve lugar nesse dia em Madrid entre as Partes do Protocolo de Atuação a aplicar às avaliações ambientais de planos, programas e projetos com efeitos transfronteiriços.

A Assembleia da República tinha aprovado em março um conjunto de sete resoluções, com origem em todas as bancadas, com recomendações ao Governo português para adotar medidas junto do executivo espanhol que suspendam a exploração de urânio em Salamanca.

Por seu lado, a Agência Portuguesa do Ambiente considerou que o projeto de exploração mineira de urânio em Retortillo é "suscetível de ter efeitos ambientais significativos em Portugal", pela proximidade com a fronteira e tendo em "atenção a direção dos ventos" de Este e Nordeste.

As associações ambientais de ambos os países também têm feito críticas ao processo, bem como autarquias.

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