Autoridades angolanas admitem necessidade de formar os "professores voluntários"

As autoridades angolanas assumiram hoje a existência no país de professores com um nível académico muito baixo, como a 5.ª classe, afirmando tratar-se de "professores voluntários que cobrem a carência de docentes" nalgumas regiões.

A situação é reconhecida pelo diretor do Instituto Nacional de Formação de Quadros do Ministério da Educação de Angola, Isaac Paxe, quando questionado pela Lusa sobre a existência na província angolana do Zaire de um elevado número de professores nesta condição.

"Em algumas realidades, devido às dificuldades em se manter professores vigilantes, nós temos constatado a existência do que se chamam de professores voluntários, que são aquelas pessoas contratadas, muitas vezes nem sequer pelo Governo local, mas são iniciativas locais, para fazer o atendimento daquelas crianças que precisam da escola", explicou.

Adiantou que estes professores "trabalham como os disponíveis" e "é nessa categoria", com pelo menos a 5.ª classe, "assume o papel de professor de um determinado período da escola".

"Nós formalmente os designamos como voluntários", acrescentou Isaac Paxe.

Falando hoje, em Luanda, no âmbito da cerimónia de apresentação do projeto de Capacitação para Professores Primários (CAPPRI), Issac Paxe esclareceu ainda que o Ministério da Educação determina que os professores do ensino geral controlados pelo sistema educativo devem ter como o mínimo a 9.ª classe.

Daí que, explicou, um programa de aceleração da formação será desenvolvido com o propósito de "munir os professores com baixo nível de escolaridade de ferramentas e habilidades" para os transformar em "professores auxiliares" dos docentes com ensino médio.

"Vamos fazer um programa de aceleração para que esses voluntários tenham a 9.ª classe e depois disso entrarem no quadro formal da categoria mínima exigida, que é transformá-los em professores auxiliares dos técnicos médios", sustentou.

A agência Lusa noticiou em junho que a capital da província angolana do Zaire, Mbanza Congo, apresenta um elevado número de professores com um nível académico muito baixo, da 5.ª classe, segundo concluiu o Relatório de Monitoria Social 2017.

O relatório, elaborado pelo Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA), incidiu a sua abordagem nos municípios de Mbanza Congo, província do Zaire, Negage, província do Uíge, Cubal e Balombo, província de Benguela, e Cela e Cassongue, província do Cuanza Sul.

O município do Mbanza Congo, refere o documento, deveria "recrutar pessoal mais qualificado, por apresentar o maior número de professores com nível académico mais baixo, fixado em 23 profissionais".

A pesquisa recomenda ao governo provincial do Zaire que proceda à "atualização permanente dos conhecimentos dos professores com baixo nível académico".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

OE 2019 e "o último orçamento que acabei de apresentar"

"Menos défice, mais poupança, menos dívida", foi assim que Mário Centeno, ministro das Finanças, anunciou o Orçamento do Estado para 2019. Em jeito de slogan, destacou os temas que mais votos poderão dar ao governo nas eleições legislativas, que vão decorrer no próximo ano. Não é todos os anos que uma conferência de imprensa no Ministério das Finanças, por ocasião do orçamento da nação, começa logo pelos temas do emprego ou dos incentivos ao regresso dos emigrantes. São assuntos que mexem com as vidas das famílias e são temas em que o executivo tem cartas para deitar na mesa.

Premium

nuno camarneiro

Males por bem

Em 2012 uma tempestade atingiu Portugal, eu, que morava na praia da Barra, fiquei sem luz nem água e durante dois dias acompanhei o senhor Clemente (reformado, anjo-da-guarda e dançarino de salão) fixando telhados com sacos de areia, trancando janelas de apartamentos de férias e prendendo os contentores para que não abalroassem automóveis na via pública. Há dois anos, o prédio onde moro sofreu um entupimento do sistema de saneamento e pude assistir ao inferno sético que lentamente me invadiu o pátio e os pesadelos. Os moradores vieram em meu socorro e em pouco tempo (e muito dinheiro) lá conseguimos que um piquete de canalizadores nos exorcizasse de todo mal.