Autárquicas: Professora Filomena Pires é a candidata da CDU à Câmara de Viseu

A professora Filomena Pires vai nas próximas eleições autárquicas concorrer à presidência da Câmara de Viseu pela CDU, prometendo "marcar a diferença", tal como considera ter feito nos últimos quatro anos na Assembleia Municipal.

"Pretendemos agora levar à Câmara Municipal a qualidade da nossa intervenção, a firmeza na defesa dos interesses das populações, a pertinência e valor das nossas propostas", afirmou Filomena Pires, de 56 anos, durante a sessão de apresentação dos candidatos da coligação PCP/PEV.

Na opinião da candidata proposta pelo PCP, "é preciso mais democracia na câmara, é preciso fazer diferente para melhor, intervir no concelho de outra maneira".

"Continuaremos a bater-nos por uma visão estratégica que assente na realidade que temos e não num imaginário concelho reduzido a uma urbanidade comprada e feita por encomenda", frisou a também dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro.

Segundo Filomena Pires, "ao contrário do idílio dos 'slogans', a pobreza continua a assolar o concelho e a resposta é feita essencialmente de caridadezinha publicitada nas atas da Câmara Municipal".

"A criação de gabinetes a que assistimos nestes quatro anos apenas serviu a propaganda e as empresas com mais elevados volumes de faturação", lamentou, considerando que "o pequeno comércio ou a pequena indústria continuam a sobreviver e mal, nomeadamente no centro histórico, onde as propaladas medidas para a sua revitalização se revelam desconexas, ineficazes e contraproducentes".

A dirigente do Movimento Democrático de Mulheres (MDM) disse que, "do muito dinheiro investido na 'propaganda' turística, não sobrou nada para a elaboração do imprescindível plano de desenvolvimento estratégico para o setor que vá para além da promoção de algumas quintas, da encomenda de fogo-de-artifício e luzes ofuscantes da verdadeira incapacidade para realizar ações sustentadas".

No entender da candidata, "continuam a existir problemas graves de saneamento básico, falta a conservação e limpeza de caminhos nas zonas rurais e mesmo à entrada da cidade, falta requalificar a central de camionagem, faltam médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar na saúde e na educação, falta acabar com a precariedade nos trabalhadores da autarquia, falta transparência nos apoios dados à cultura e às associações".

"Falta a capacidade para conviver com a diferença, falta acabar com a arrogância de quem se perpetua como maioria e perde o sentido democrático do exercício do poder", sublinhou.

A Câmara de Viseu é presidida pelo social-democrata Almeida Henriques que, em 2013, ocupou o lugar de Fernando Ruas, depois de este ter liderado durante 24 anos os destinos do município.

No concelho são também já conhecidos como candidatos Almeida Henriques (PSD), Lúcia Silva (PS), Fernando Figueiredo (BE) e o independente João Nascimento.

Nas eleições autárquicas de 2013, o PSD foi o partido mais votado em Viseu, conquistando 46,37% dos votos (cinco mandatos), seguido do PS, com 26,84% dos votos (três mandatos). O CDS-PP obteve 9,56% dos votos (um mandato), a coligação PCP/PEV 4,02% e o BE 3,8%.

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