Autárquicas: CDU candidata enfermeira Isabel Bem-Haja à Câmara de Penacova

A enfermeira Isabel Santos Bem-Haja, de 48 anos, é a candidata da CDU à Câmara Municipal de Penacova, anunciou hoje a coligação.

Eleita da CDU na Assembleia de Freguesia de Lorvão, naquele concelho do distrito de Coimbra, Isabel Maria Correia Santos Bem-Haja, militante do PCP, exerce a profissão de enfermeira na Maternidade Bissaya Barreto, unidade integrada no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Membro da Comissão Concelhia de Penacova do PCP e dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, a candidata é ainda representante dos trabalhadores para a área da Segurança e Saúde no Trabalho do CHUC.

"Quer no concelho de Penacova, quer nas freguesias, os eleitos da CDU seguem o princípio de não serem beneficiados pelo desempenho dos cargos", afirma em comunicado a coligação do PCP com o Partido Ecologista Os Verdes (PEV).

No desempenho dos mandatos, os autarcas da CDU "têm uma participação ativa na defesa da qualidade de vida das populações do município, mediante a apresentação de propostas, mas também de denúncias e de alerta da grave situação económica e social do concelho e do país", adianta.

"As áreas mais significativas das nossas intervenções ao nível local prendem-se, nomeadamente, com a defesa do ambiente e da floresta como fator de desenvolvimento económico, defesa da saúde, da educação e da escola públicas de qualidade, da rede viária, da valorização do trabalho, do turismo, património, cultura, tempos livres e desporto", refere a CDU.

Os elementos da candidatura pretendem ainda intervir nas áreas da proteção civil, comércio, indústria e ação social, "que poderão contribuir para a riqueza económica e cultural" da população e do município de Penacova.

No setor do turismo, "numa altura em que Portugal está na moda e sendo Penacova dotada de uma beleza natural invejável, é urgente criar infraestruturas que permitam atrair e aumentar a permanência no concelho dos visitantes", defendem.

"Penacova teve um papel importante na história do nosso país, que deve ser aproveitado e valorizado, para o turismo cultural, onde se incluem, em particular, Lorvão e o seu mosteiro", propõem.

O primeiro candidato da CDU à Assembleia Municipal de Penacova é Álvaro Manuel Bernardes Miranda, de 53 anos, encarregado do Serviço de Alimentação do Hospital Sobral Cid, do CHUC, que é também presidente da assembleia geral do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro.

Num concelho onde o PS ganhou as autárquicas, em 2009 e 2013, afastando o PSD, que estava há vários mandatos na presidência do executivo municipal, já anunciou também a sua candidatura à Câmara António Simões, comandante dos Bombeiros de Penacova.

Nas eleições de 01 de outubro, Humberto Oliveira, presidente da Câmara, recandidata-se pelo PS a um terceiro e eventual último mandato. Em 2013, a CDU não elegeu qualquer vereador.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Investimento estrangeiro também é dívida

Em Abril de 2015, por ocasião do 10.º aniversário da Fundação EDP, o então primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmava que Portugal "precisa de investimento externo como de pão para a boca". Não foi a primeira nem a última vez que a frase seria usada, mas naquele contexto tinha uma função evidente: justificar as privatizações realizadas nos anos precedentes, que se traduziram na perda de controlo nacional sobre grandes empresas de sectores estratégicos. A EDP é o caso mais óbvio, mas não é o único. A pergunta que ainda hoje devemos fazer é: o que ganha o país com isso?

Premium

Jan Zielonka

A política na era do caos

As cimeiras do G20 foram criadas para compensar os fracassos das Nações Unidas. Depois da cimeira da semana passada na Argentina, sabemos que o G20 dificilmente produzirá milagres. De facto, as pessoas sentadas à mesa de Buenos Aires são em grande parte responsáveis pelo colapso da ordem internacional. Roger Boyes, do Times de Londres, comparou a cimeira aos filmes de Francis Ford Coppola sobre o clã Corleone: "De um lado da mesa em Buenos Aires, um líder que diz que não cometeu assassínio, do outro, um líder que diz que sim. Há um presidente que acabou de ordenar o ataque a navios de um vizinho, o que equivale a um ato de guerra. Espalhados pela sala, uma dúzia de outros estadistas em conflito sobre fronteiras, dinheiro e influência. E a olhar um para o outro, os dois arquirrivais pretendentes ao lugar de capo dei capi, os presidentes dos Estados Unidos e da China. Apesar das aparências, a maioria dos participantes da cimeira do G20 do fim de semana não enterrou Don Corleone, mas enterrou a ordem liberal."

Premium

nuno camarneiro

Amor em tempo de cólera

Foi no domingo à tarde na Rua Heliodoro Salgado, que vai do Forno de Tijolo à Penha de França. Um BMW cinzento descia o empedrado a uma velocidade que contrariava a calidez da tarde e os princípios da condução defensiva. De repente, o focinhito de um Smart vermelho atravessa-se no caminho. Travagem brusca, os veículos quedam-se a poucos centímetros. Uma buzinadela e outra de resposta, o rapaz do BMW grita e agita a mão direita à frente dos olhos com os dedos bem abertos, "és ceguinha? És ceguinha?" A senhora do Smart bate repetidamente com o indicador na testa, "tem juízo, pá, tem juízo". Mais palavras, alguma mímica e, de repente, os dois calam-se, sorriem e começam a rir com vontade. Levantam as mãos em sinal de paz, desejam bom Natal e vão às suas vidas.

Premium

Joel Neto

O jogo dos homens devastados

E agora aqui estou, com a memória dos momentos em que falhei, das pancadas em que tirei os olhos da bola ou abri o cotovelo direito no downswing ou, receoso de me ter posicionado demasiado longe do contacto, me cheguei demasiado perto. Tenho a impressão de que, se fizer um esforço, sou capaz de recapitular todos os shots do dia - cada um dos noventa e quatro, incluindo os cinco ou seis que me custaram outros doze ou treze e me atiraram para longe do desempenho dos bons tempos. Mas, sobretudo, sinto o cheiro a erva fresca, leite morno e bosta de vaca dos terrenos de pasto em volta. E viajo pelos outros lugares onde pisei o verde. Em Tróia e na Praia Del Rey. Nos campos suaves do Algarve e nas nortadas de Espinho e da Póvoa de Varzim. Nos paraísos artificiais de Marrocos, em meio da tensão competitiva do País de Gales e na Herdade da Aroeira, com os irmãos Barreira e o Maurício, e o Vítor, e o Sérgio, e o Abad, e o Rui, e todos os outros.

Premium

Opinião

NAVEGAR É PRECISO. Quinhentinhos

Os computadores, sobretudo os pessoais e caseiros, também nos trouxeram isto: a acessibilidade da "memória", através do armazenamento, cronológico e quantificado. O que me permite - sem esforço - concluir, e partilhar, que este é o meu texto número 500 no Diário de Notícias. Tendo trabalhado a tempo inteiro e colaborado em muitas outras publicações, "mais do que prometia a força humana", nunca tive, em quatro décadas de peças assinadas, uma oportunidade semelhante de festejar algo de semelhante, fosse pela premência do tempo útil sobre o "ato contemplativo" ou pela velocidade inusitada com que ia perdendo os trabalhinhos, nem por isso merecedores de prolongamento do tempo de "vida útil". Permitam-me, pelo ineditismo da situação, esta rápida viagem que, noutro quadro e noutras plataformas, receberia a designação (problemática, reconheça-se) de egosurfing.