Autarca de Peniche diz que verbas para Museu Nacional da Resistência são insuficientes

Peniche, Leiria, 23 fev (Lusa)- O presidente da Câmara de Peniche disse hoje que os 3,5 milhões de euros são insuficientes para instalar o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade na Fortaleza da cidade, mas o Ministério da Cultura desmentiu.

"Os 3,5 milhões de euros não são suficientes para a instalação do museu e faltará uma parte do financiamento", afirmou Henrique Bertino, que falava na sessão da Assembleia Municipal.

O autarca alertou que "é necessário, em sede de Orçamento do Estado, consagrar verbas para a Fortaleza de Peniche", no distrito de Leiria.

Confrontada pela agência Lusa, fonte oficial do Ministério da Cultura respondeu que "não há falta de financiamento", sublinhando que se trata de um "projeto estruturante", com um investimento estimado em 3,5 milhões de euros, que "vai abrir com os recursos necessários".

"As obras estão em curso", prevendo-se "a sua abertura no final de 2020", acrescentou.

Em setembro de 2016, a Fortaleza de Peniche foi integrada pelo Governo na lista de monumentos históricos a concessionar a privados, no âmbito do programa Revive, mas passados dois meses foi retirada, pela polémica suscitada.

Em abril de 2017, a Assembleia da República defendeu em plenário, da esquerda à direita, a requalificação e a preservação da sua memória histórica enquanto ex-prisão política da ditadura em alternativa à decisão do Governo.

No mesmo mês, o Governo aprovou em Conselho de Ministros um plano de recuperação da Fortaleza de Peniche para instalar na antiga prisão da ditadura do Estado Novo o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade, um investimento estimado em 3,5 milhões de euros.

Em 2018, foram lançados concursos para obras, que estão a decorrer, o projeto de arquitetura de adaptação do museu foi entregue ao arquiteto João Barros Matos e o guia de conteúdos, composto por 11 núcleos, foi elaborado pela Comissão de Instalação dos Conteúdos e da Apresentação Museológica.

A fortaleza, classificada como Monumento Nacional desde 1938, foi uma das prisões do Estado Novo de onde se conseguiu evadir, entre outros, o histórico secretário-geral do PCP Álvaro Cunhal, em 1960, protagonizando um dos episódios mais marcantes do combate ao regime ditatorial.

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