Aumento do preço dos transportes públicos em São Paulo gera novos protestos

O aumento do preço dos transportes públicos no estado brasileiro de São Paulo foi na terça-feira alvo de novos protestos por parte de um grupo de cerca de 200 pessoas na cidade mais populosa do Brasil.

Pela terceira semana consecutiva, o Movimento Passe Libre (MPL) convocou uma nova concentração no centro de São Paulo para protestar contra o aumento dos preços dos transportes, que são reajustados anualmente na maioria das cidades brasileiras.

Os manifestantes marcharam cerca de quatro quilómetros, acompanhados por um elevado contingente policial. Ao contrário dos protestos que se realizaram na semana passada, o percurso foi feito de forma pacífica e não se registaram confrontos.

O principal motivo dos protestos prende-se com o facto de a qualidade dos transportes públicos não acompanhar a inflação dos preços, que os manifestantes classificam como de "péssima qualidade".

"O aumento, bem acima da inflação, coincide com um momento de crise económica, desemprego, perda iminente dos direitos sociais e com o valor do salário mínimo a ser reajustado abaixo do esperado", considerou o MPL em comunicado.

O Movimento denunciou que o aumento do preço dos transportes é fruto da corrupção, depois de as autoridades terem identificado a formação de um grupo de empresas que saiu privilegiado na construção do metro de São Paulo.

"Enquanto os envolvidos na máfia dos transportes são protegidos pelos governantes, a população tem os seus bilhetes únicos cancelados a toda a hora, com a desculpa de evitar fraudes no sistema", segundo o MPL.

As manifestações do MPL, movimento que defende o bilhete de transporte gratuito para os cidadãos, foram também o rastilho de protestos em massa que ocorreram em 2013, em todo o Brasil, em plena comemoração da Taça das Confederações.

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