Associação sindical lança repto a Presidente para visitar PJ

O presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC) da PJ desafiou hoje o Presidente da República a visitar esta instituição para se "inteirar dos problemas" desta polícia que combate a criminalidade organizada e a corrupção.

Ricardo Valadas falava em conferência de imprensa, durante a qual anunciou as datas da greve que as associações sindicais ligadas à PJ vão realizar na primeira quinzena de fevereiro e que, segundo admitiu, irá condicionar a investigação criminal, tanto mais que se espera uma elevada adesão ao protesto.

Os inspetores da PJ decidiram paralisar várias horas por dia na primeira semana de fevereiro (de 04 a 08) e nos dias 11 e 12, tal como o restante pessoal da PJ.

Assim, as três estruturas sindicais, que representam inspetores, seguranças e pessoal administrativo, decidiram marcar um período de greve das 00:00 horas do dia 04 de fevereiro até à meia-noite do dia 12 em regime de rotatividade.

Entre o dia 04 de fevereiro e o dia 05 de março está marcada uma paralisação ao trabalho de prevenção e às horas extraordinárias.

O presidente da ASFIC/Pj justificou a marcação das greves em virtude do "preocupante estado a que os sucessivos governos deixaram chegar a Polícia Judiciária", criticando os "constantes adiamentos, manobras dilatórias e ausências de respostas concretas e necessárias por parte do Governo face ao que durante os últimos três anos lhes foi apresentado".

Entre outras questões, disse, está em causa a ausência de revisão do estatuto das carreiras profissionais da PJ, a ausência da revisão da lei orgânica da PJ, a crónica falta de recursos humanos e materiais e a sucessiva recusa da tutela em promover a reposição dos escalões que foram congelados.

Em causa estão ainda a promoção e correção da fórmula de cálculo dos suplementos de risco e de turno e a devolução das quantias em dívida desde 2010.

Além de ter expectativas de uma grande adesão à greve, Ricardo Valadas revelou que sente que a própria direção da PJ (nomeada há apenas seis meses) está "solidária" com muitas das reivindicações das associações, notando, contudo que, com ou sem o apoio da atual direção da Judiciária, as associações sindicais farão o seu "caminho" de protesto.

Quanto ao repto lançado a Marcelo Rebelo de Sousa para visitar as instalações da PJ e inteirar-se dos "problemas" desta polícia científica, o presidente da ASFIC disse esperar que o chefe de Estado saiba, à semelhança de outras iniciativas, "defender" uma instituição que combate a criminalidade organizada e a corrupção generalizada que anualmente lesa o Estado em cerca de 18 mil milhões de euros.

O dirigente da ASFIC alertou para os perigos do desinvestimento na PJ e disse ser intenção dos grevistas demonstrar à sociedade civil e aos governantes, de forma exemplar, o "abandono a que foi votada a PJ e o resultado da longa ação psicológica exercida contra os funcionários desta instituição".

"Tudo faremos para que a sociedade civil exija aos políticos responsabilidades e justificações perante uma intenção que consideramos deliberada e atentatória a uma instituição fundamental da soberania e que se assume na primeira linha de defesa contra a complexa e grave atividade criminosa que ameaça o Estado", vincou.

Na sessão, Ricardo Valadas alertou ainda para o envelhecimento dos quadros da PJ, dizendo que a média de idades ronda os 50 anos, e revelou que a frota automóvel da PJ tem uma média de 250 mil quilómetros.

Por último, lançou também um repto ao ministro das Finanças, Mário Centeno, para que perceba que o investimento na PJ é prioritário, tanto mais que esta polícia combate o crime responsável por lesar o Estado em muitos milhões de euros por ano.

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