Assessor do PC chinês prevê redução das tensões comerciais com os EUA

Um assessor do Partido Comunista Chinês antecipou hoje que as tensões comerciais entre China e Estados Unidos deverão reduzir-se nos próximos meses, esperando avanços nas negociações desta semana em Washington.

Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, Xie Maosong, assistente do secretário-geral do Instituto de Inovação e Desenvolvimento da China, disse esperar que Pequim e Washington continuem a dialogar, nos próximos meses, com base num acordo alcançado esta semana.

Para além do cargo naquele instituto, que serve como um centro de estudos de alto nível, formado por ex-funcionários do Partido Comunista (PCC), diplomatas, generais e empresários, Xie é professor-adjunto na Escola Central do Partido, encarregue da formação de altos quadros do PCC.

O assessor descartou, no entanto, uma normalização nas relações entre Pequim e Washington, após a guerra comercial que começou no verão passado.

China e EUA aumentaram já as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um.

Os presidentes norte-americano e chinês, Donald Trump e Xi Jinping, respetivamente, concordaram, entretanto, com uma trégua de 90 dias, que termina em 02 de março, visando encontrar uma solução para as disputas comerciais.

Os comentários de Xie surgem no mesmo dia em que o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, chegou a Washington, para negociações de alto nível, hoje e sexta-feira, com uma delegação norte-americana liderada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, e pelo representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer.

Liu, enviado especial do presidente chinês, Xi Jinping, discutirá um possível memorando de entendimento que permita suspender a guerra comercial.

Xie disse estar confiante de que os dois lados serão capazes de resolver algumas das suas diferenças, mas que um acordo final "não será fácil".

"Os EUA não removerão todas as suas tarifas, pois querem deixar algum espaço para continuarem a negociar", afirmou.

"É provável que ocorram mais negociações e, até junho, a maior parte das tarifas sobre 250 mil milhões de dólares de bens importados da China serão eliminadas", previu.

Xie disse que, embora a China esteja disposta a fazer concessões no comércio - sobretudo quanto ao seu superavit comercial -, será menos flexível em mudanças estruturais.

Trump exige que a China ponha fim a subsídios estatais para certas indústrias estratégicas, à medida que a liderança chinesa tenta transformar as firmas do país em importantes atores em atividades de alto valor agregado, como inteligência artificial ou robótica, ameaçando o domínio norte-americano naquelas áreas.

Washington quer também mais acesso ao mercado, melhor proteção da propriedade intelectual e o fim da ciberespionagem sobre segredos comerciais de firmas norte-americanas.

"Essa é a linha vermelha da China", notou. "Os EUA obterão alguns benefícios em termos de comércio, mas terão que aceitar questões de estrutura econômica".

Xie considerou, no entanto, que a guerra comercial significa que a relação entre os dois países foi definitivamente alterada.

O assessor considerou que a competição a longo prazo é inevitável e a cooperação será limitada, sobretudo se os EUA não estiverem dispostos a abdicar de parte do seu domínio global.

"A ascensão da China é um pesadelo para os EUA", disse.

"É um pesadelo, não porque a China se torne um fator imprevisível ou incerto, como alegam os EUA, mas porque os EUA perderão a hegemonia de que desfrutam excessivamente em muitas áreas", acrescentou.

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