Seis ONG contestam violência no norte da República Centro-Africana

As seis organizações não-governamentais (ONG) internacionais que atuam em Kanga Bandoro, norte da República Centro-Africana (RCA), suspenderam hoje as suas atividades para contestar a violência contra trabalhadores humanitários.

Lusa

"Em Kaga Bandoro, registámos este ano 32 incidentes [contra as ONG], das quais 21 desde o mês de junho", disse à agência de notícias francesa AFP Baptiste Hanquart, responsável do Centro de Coordenação das ONG na República Centro-Africana.

Naquele que é um dos países mais perigosos no mundo para os trabalhadores humanitários, sete foram mortos e 24 ficaram feridos desde o início do ano, segundo a Organização Internacional para a Segurança das ONG (INSO, na sigla original), que identifica os abusos contra as organizações em todo o mundo.

As ONG são uma "oportunidade financeira para os grupos armados", que as atacam, disse Hanquart, que garantiu no entanto que as organizações não vão abandonar o terreno: "Não é porque somos maltratados por milícias que vamos abandonar a população".

A suspensão de atividades humanitárias durante 24 horas é "uma jornada de indignação face a tudo o que as populações e as ONG sofrem, em Kaga Bandoro, mas também em Bambari ou Bria", considerou o responsável.

Desde o segundo trimestre deste ano, "observou-se uma deterioração das condições de segurança e um aumento significativo dos casos de roubo, assaltos e saques, registados em particular em Bambari, Bria, Kaga Bandoro, Batangafo, e também em Bossangoa", destacou recentemente, num comunicado, o gabinete para os assuntos humanitários da Organização das Nações Unidas (OCH) na RCA.

Desde 2013, quase toda a República Centro-Africana vive sob a violência de grupos armados e milícias, que cometem incontáveis atos de violência e abuso.

A queda, naquele ano, do então Presidente François Bozizé, deposto pelos ex-rebeldes do Seleka, que se proclamou protetor dos muçulmanos, desencadeou uma ofensiva das milícias anti-Balaka, alegando defender os não-muçulmanos.

Os grupos armados da Seleka e as milícias lutam pelo controlo de recursos neste país de 4,5 milhões de pessoas, classificado entre os mais pobres do mundo, mas rico em diamantes, ouro e urânio.

Portugal está presente na RCA no âmbito da missão das Nações Unidas naquele país (MINUSCA).