Alive: Arctic Monkeys entre baladas de hotel e o rock adolescente

Os Arctic Monkeys encerraram já ao início da madrugada de hoje o primeiro dia da 12.ª edição do festival Alive com um concerto que oscilou entre as baladas de hotel e casino e o rock adolescente.

Os britânicos estão atualmente em digressão poucos meses depois de terem editado "Tranquility Base Hotel & Casino", o sexto álbum de originais, que alguns dizem representar a passagem para a idade adulta, sem os 'riffs' de guitarra e o 'nervo' da adolescência.

Além de temas novos, como "Four out of five", que abriu o espetáculo, "Star Treatment" e "Tranquility Base Hotel & Casino", a banda de Alex Turner desacelerou alguns temas antigos.

No entanto, os quatro elementos mostraram que os adolescentes que em 2006 se estrearam ao vivo em Portugal, meses depois de editarem o álbum de estreia, ainda existem e tocaram "I bet you look good on the dancefloor" com o mesmo 'nervo' dos tempos iniciais.

Com pose de 'crooner' dos anos 1970, Alex Turner, 32 anos, metade dos quais dedicados à banda, chamou a si o protagonismo em palco, mesmo trocando poucas palavras com o público.

"Do I wanna know" e "Are you mine" foram dos temas que mais entusiasmaram o público, que se apressou a empunhar telemóveis para registar os momentos em vídeo.

Antes dos Arctic Monkeys, o festival mostrou que pode congregar vários públicos, dos que reviveram o pop rock glamoroso de Bryan Ferry aos que receberam a pop soul estreante de Khalid, sem esquecer os indefetíveis do rock duro dos Nine Inch Nails, com uma referência a David Bowie com uma versão de "I'm afraid of americans".

Pelo meio, a casa de fados recriada no recinto foi pequena demais para os dois concertos de António Zambujo, com a curiosidade a aumentar por causa das presenças em palco dos músicos Salvador Sobral, Tiago Nacarato, Janeiro e Miguel Araújo - que horas antes tinha aberto o palco maior.

Noutro dos palcos, os Paus partilharam um concerto com o rapper Holly Hood, pondo em prática "o poder de criatividade do subúrbio de Lisboa", como disse o baterista Quim Albergaria.

A tenda dedicada à comédia, composta com uma instalação de Bordalo II, esteve quase sempre cheia e o coreto foi palco de batalhas de 'beats', "só com 'beats' produzidos por produtores portugueses", como explicou DJ Glue. Além de DJ Glue, pelo Coreto passaram SP Deville, Dead End, Fumaxa e Here's Johnny, que se foram 'enfrentando' em palco.

Depois dos cabeça de cartaz Arctic Monkeys, o alinhamento do primeiro dia do festival termina com Blasted Mechanism, Orelha Negra e Sophie, noutros palcos.

A 12.ª edição do festival NOS Alive continua hoje, com os Queens of the Stone Age como atração principal.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.