Alemanha e China comprometem-se a reforçar cooperação no setor financeiro

Alemanha e China prometeram hoje abrir mais os seus mercados aos bancos e seguradoras de cada um dos países, num sinal positivo de Pequim, face às críticas dos Estados Unidos e da União Europeia.

Os dois lados reafirmaram ainda o seu apoio ao sistema multilateral de comércio, numa aparente reação ao unilateralismo adotado por Washington desde a ascensão ao poder de Donald Trump.

As declarações, proferidas após a reunião anual entre os responsáveis máximos pelos assuntos económicos da Alemanha e da China, ilustram a determinação de Pequim em avançar com reformas que visam reduzir a sua dependência face aos Estados Unidos e tornar a sua economia mais produtiva.

A China tentou sem sucesso recrutar a Alemanha como aliada nas suas disputas comerciais com Trump.

Berlim expressou o seu apoio ao livre comércio, mas a chanceler Angela Merkel enfatizou que o seu Governo não toma o partido de nenhum dos lados.

China e EUA aumentaram já as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um.

Trump exigiu que Pequim ponha fim a subsídios estatais para certas indústrias estratégicas, à medida que a liderança chinesa tenta transformar as firmas do país em importantes atores em atividades de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos, ameaçando o domínio norte-americano naquelas áreas.

Mas o Partido Comunista Chinês está relutante em abdicar dos seus planos, que considera cruciais para elevar o estatuto global do país.

Delegações lideradas pelo ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz, e pelo vice-primeiro-ministro chinês encarregue da Economia, Liu He, assinaram acordos de cooperação na área da regulamentação financeira.

Não foram revelados detalhes, mas Liu disse que Pequim dá as boas-vindas aos "melhores bancos alemães para participarem na abertura e inovação do mercado financeiro chinês".

Pequim prometeu repetidamente avançar com os compromissos feitos quando se juntou à Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, de abertura do seu mercado financeiro, mas tem adiado a adoção de medidas concretas.

Em 2017, o governo prometeu que iria passar o limite de propriedade estrangeira em gestores de valores mobiliários, fundos e futuros dos atuais 49% para 51%, permitindo que empresas estrangeiras tenham posições maioritárias, mas não avançou ainda com regulação detalhada.

Os reguladores chineses suspenderam, entretanto, a emissão de licenças para empresas norte-americanas no setor das finanças, devido às disputas comerciais com Washington.

Pequim enfrenta também pressão por parte da União Europeia, por alegadamente forçar a transferência de tecnologia em troca de acesso ao seu mercado.

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