Aldeia de Serpa exige solução para esgotos não tratados enviados para barragem

A população de Vales Mortos (Serpa) exige uma solução urgente para tratar os esgotos da aldeia, que são enviados "a céu aberto", sem serem tratados, para uma barragem particular porque a estação de tratamento está avariada.

Devido a "uma avaria" na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Vales Mortos, no concelho de Serpa, há três anos que os esgotos sem serem tratados são enviados por uma vala a céu aberto para uma barragem particular, disse hoje à agência Lusa José Gomes, o porta-voz da população, que já enviou ao município um abaixo-assinado a exigir uma "solução urgente" para o problema.

Num comunicado enviado hoje à Lusa, a Câmara de Serpa, no distrito de Beja, refere que vai lançar um concurso público para a construção "ainda este ano" de uma nova ETAR em Vales Mortos, que deverá começar a funcionar "no início do próximo verão".

Segundo José Gomes, devido à avaria na ETAR, a Câmara de Serpa abriu há três anos, "a cerca de 100 metros" da aldeia e de uma escola básica, uma vala a céu aberto por onde os esgotos, sem serem tratados, correm e são enviados para uma barragem particular.

O "mau cheiro" e as nuvens de moscas e mosquitos existentes ao longo da vala são "insuportáveis", mas "o mais grave é o perigo de doenças", alertou José Gomes, referindo que "o clima na zona já é subtropical e o perigo de retransmissão de doenças ao ser humano", através de animais de criação, moscas e mosquitos, é "latente".

Já a barragem para onde são enviados os esgotos, que ocupa cerca de dois hectares e tem 20 metros de profundidade e onde antes os habitantes da aldeia tomavam banho, pescavam e conviviam, tem sido "conspurcada ao longo dos últimos três anos", está "contaminada" e, "se não for limpa urgentemente, acabará para nada servir", lamentou.

José Gomes contou que já morreram ou ficaram doentes várias cabeças de gado que bebiam água da barragem e pertenciam ao rendeiro da propriedade onde a albufeira está situada.

O rendeiro e produtor pecuário desconfiou que as mortes e doenças do gado estavam relacionadas com a água da barragem e exigiu uma solução à Câmara de Serpa, que fez uma ligação entre a rede de abastecimento público de água e uns reservatórios existentes na propriedade para transportar água potável para "cerca de 350 vacas e um número indeterminado de ovelhas e porcos" beberem, contou.

"Não entendemos esta incúria, ao mesmo tempo que recebemos nas caixas do correio folhetos" da empresa Águas Públicas do Alentejo "precavendo-nos para poupar e reutilizar a água", lê-se no abaixo-assinado, que, segundo José Gomes, foi subscrito por "cerca de 155" pessoas, a quase totalidade dos habitantes de Vales Mortos.

Através do abaixo-assinado, a população exige uma solução, com a "máxima urgência", para o tratamento dos esgotos da aldeia para precaver "possíveis surtos de doença em Vales Mortos", nomeadamente a reparação da atual ETAR ou a construção de uma nova, explicou José Gomes.

No comunicado, a Câmara de Serpa afirma que "partilha a mesma apreensão com todos os problemas identificados e com as dificuldades sentidas pela população de Vales Mortos" e vai avançar com a construção de uma nova ETAR, porque estão "esgotadas" todas as tentativas de aproveitamento da atual, que é "irrecuperável".

O município refere que tentou "sempre encontrar soluções técnicas" para aproveitar a atual ETAR e para que a resolução do problema "fosse mais rápida e concretizável, uma vez que não existiam condições necessárias para avançar" com a construção de uma nova infraestrutura.

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