AIEA assegura que Irão continua a respeitar acordo nuclear de 2015

O Irão continua a respeitar os seus compromissos relacionados com o acordo nuclear concluído em 2015 com as grandes potências, afirmou a Agência internacional de energia atómica (AIEA) num relatório trimestral hoje divulgado.

Num momento em que Washington pressiona os seus aliados a renunciarem a este texto, a agência da ONU considera designadamente que o Irão não enriqueceu o urânio para níveis proibidos nem procedeu a armazenamentos ilegais, em conformidade com as disposições do acordo destinado a garantir que o país seja impedido de possuir a bomba atómica.

Esta deliberação, que era aguardada, surge uma semana após o vice-Presidente norte-americano Mike Pence ter ameaçado Teerão com novas sanções e solicitado aos aliados europeus dos Estados Unidos que também renunciem a este texto negociado pela administração de Barack Obama após uma longa maratona diplomática.

Em 14 de fevereiro, no decurso de uma conferência sobre o Médio Oriente em Varsóvia em que participaram Israel e altos representantes de países árabes, Pence qualificou o Irão como "o maior perigo" na região, acusando-se de preparar "um novo Holocausto".

Denunciou ainda a iniciativa da França, Alemanha e Reino Unido destinada a permitir que as empresas europeias prossigam a sua atividade no Irão apesar das sanções restabelecidas pelos Estados Unidos após a retirada unilateral de Washington em maio, e apelou a estes países para "se retirarem".

O Presidente dos EUA Donald Trump considera que Teerão não renunciou em desenvolver a arma nuclear, apesar das conclusões em contrário dos serviços de informações e dos observadores da AIEA, responsáveis pela verificação dos compromissos firmados pelos iranianos.

Em resposta, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, considerou que para os 28 "a aplicação do acordo nuclear com o Irão é uma questão de segurança europeia -- para evitar que o Irão possa desenvolver uma arma nuclear", considerando que funciona.

O acordo submete o programa nuclear iraniano a estrita vigilância, em troca de um progressivo levantamento das sanções internacionais dirigidas ao país do Médio Oriente.

O Irão tem negado sistematicamente pretender dotar-se de um programa nuclear militar, apesar de reivindicar o direito de explorar uma componente civil. Até ao momento, a AIEA sempre considerou que o país tem cumprido todas as obrigações no âmbito do acordo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, definiu como "odiosas", "ignorantes" e "ridículas" as declarações de Pence, e qualificou de "obsessão malévola" a política norte-americana face ao Irão.

No seu relatório, a agência insiste no entanto, e novamente, na importância de uma "cooperação pró-ativa" de Teerão no acessos aos locais indicados pelos inspetores da Agência.

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