Agrupamento Duero/Douro assinala uma década com aumento de entidades associadas

O diretor-geral do Agrupamento de Cooperação Territorial Duero/Douro revelou hoje que ao fim de uma década de existência deste organismo transfronteiriço, o número de entidades associadas aumentou de 179 para 213, o que reforça a coesão territorial ibérica.

Em entrevista à agência Lusa, o José Luís Pascual disse que, do lado português, o número de membros que integram o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Duero/Douro mantém-se estável.

Já do lado espanhol, a situação é pouco diferente, devido às mudanças no panorama político verificado nos últimos anos, o que provocou a saída de alguns associados e que agora estão a regressar em nome da coesão do interior peninsular.

O dirigente indicou que nos últimos cinco anos, em cada Assembleia Geral do AECT realizada tem havido a aprovação da entrada de novos associados e ninguém sai, embora haja quem queira passar uma imagem contrária. Contudo, o grande o objetivo é trabalhar em prol do desenvolvimento de uma das regiões fronteiriças mais deprimidas da Europa.

O AECT Duero/Douro foi criado em 2009 e reúne entidades das zonas portuguesas de Trás-os-Montes, Douro, Beira Interior Norte e das províncias espanholas de Salamanca e Zamora, entre municípios, instituições de ensino superior, empresas, cooperativas e outras e abrange um território de 120 mil quilómetros quadrados, do interior peninsular.

"Quando nasceu o AECT Duero/Douro em 2009 estávamos em plena crise internacional, numa altura em que havia grandes dificuldades para a obtenção de fundos comunitários para levar a cabo o financiamento de projetos a que nos havíamos proposto concretizar. O dinheiro faltou e foi um revés em todos os organismos similares ao nosso", vincou o dirigente ibérico.

Para ultrapassar este período de crise, as entidades municipais que entregam o AECT Duero/Douro começaram por fazer "pequenas" intervenções nas localidades raianas, o que acabou por mudar a face de um interior peninsular deprimido.

Uma das prioridades do AECT não é ter dinheiro, destacou, mas sim, decidir onde investir os fundos vindos da Europa comunitária.

"A nossa prioridade é que os autarcas do nosso território possam decidir onde investir os fundos europeus para garantir o futuro transfronteiriço. A política não pode condicionar o desenvolvimento de determinada região. Os governos mudam, mas os autarcas continuam a trabalhar em defesa dos interesses das suas aldeias, vilas ou cidades", acrescentou José Luís Pascual.

Em finais de 2017, foram incorporadas 111 pessoas para trabalharem durante seis meses no desenvolvimento de projetos dos AECT.

"Estes técnicos idealizaram pequenos projetos que melhoram a qualidade de vidas das localidades abrangidas pelo agrupamento e ajudam a fixaram por um maior período de tempo os seus habitantes", observou.

Porém, devido à falta de fundos, houve projetos emblemáticos que tiveram que ficar pelo caminho, como foi o caso do " Self Prevention" entre outros.

"A falta de recursos económicos, principalmente de fundos europeus deitou tudo a perder", vincou.

Os responsáveis acreditam numa mudança de paradigma no seio do AECT, com a indentação de novos projetos que começam a ganhar forma.

Por seu lado, o coordenador Territorial do AECT Duero/Douro, Evaristo Neves, sustentou que houve uma fase económica menos boa na Península ibérica e hoje este organismo é vivido de uma forma mais ativa.

"Sem fundos comunitários é praticamente impossível desenvolver o interior peninsular. Vivemos em territórios de baixa densidade populacional e, enquanto não houver dinheiro público, não é fácil para qualquer entidade manter-se. O AECT passou por essa fase. Neste momento há projetos aprovados através do INTERREG, o que faz com que o agrupamento tenha outra visibilidade junto das populações abrangidas", indicou o também autarca de Mogadouro.

O AECT Duero/Douro foi dos primeiros a avançar no quadro desta nova figura criada pela União Europeia para facilitar e fomentar a cooperação territorial transfronteiriça.

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