Acordo falhado pela segunda vez leva autarca de Gaia a julgamento por difamação

O julgamento do presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, por alegada difamação ao seu ex-adjunto Bruno Santos, agendado para hoje, foi adiado para 16 de maio, após falhar uma segunda tentativa de acordo.

A juíza tentou novamente que houvesse um acordo, evitando assim o julgamento, mas as partes não aceitaram, depois de gorada uma primeira tentativa a 13 de março.

O autarca está acusado do crime de difamação e o seu julgamento resulta da decisão do Juízo de Instrução Criminal do Porto, datada de 24 de novembro de 2017, tendo o processo começado numa queixa-crime apresentada por Bruno Santos, ex-adjunto de Eduardo Vítor Rodrigues.

Na origem da questão estão textos publicados pelo autarca nas redes sociais que, alegadamente, tinham como alvo o ex-colaborador, demitido um mês antes.

À saída do Tribunal de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues disse estar "muito tranquilo", esperando que o julgamento comece para mostrar quem está de boa-fé.

"Um acordo presume boa-fé", considerou, sublinhando que "boa-fé é coisa que não tem acontecido".

"Foram duas manhãs perdidas porque há quem venha aqui fazer disto uns cinco minutos de fama num ato hostil à justiça e aos tribunais", referiu.

O presidente frisou que há "muita vontade" da outra parte para fazer uma humilhação institucional, percebendo-se de que "personalidade e motivações" se tratam.

Na opinião do autarca, "quem não tem capacidade para aguentar o debate político não vem a ele", acrescentando que este julgamento assenta num "ressabiamento acumulado" por parte do seu ex-adjunto.

Eduardo Vítor Rodrigues revelou que o município tem quatro processos em curso contra Bruno Santos, estando nomeadamente em causa um relacionado com falsificação de assinatura.

Por seu turno, Bruno Santos explicou que houve uma "tentativa insistente" para a realização de um acordo, mas que não foi bem-sucedida.

"Os pressupostos do acordo eram inaceitáveis", vincou, salientando que as queixas contra si "multiplicam-se".

Bruno Santos, que exerceu funções como adjunto entre dezembro de 2013 e julho de 2016, está a pedir uma indemnização de 50 mil euros.

Falhada que foi a segunda tentativa de acordo, a juíza agendou o início do julgamento para 16 de maio, às 09:30.

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