Inéditos de Agostinho da Silva e contos de Susan Sontag nas novidades de fevereiro

Os romances vencedores do Prémio "Booker Dourado" e do Prémio Leya 2018, inéditos de Agostinho da Silva, contos de Susan Sontag e uma edição fac-similada da revista Persona são algumas das novidades editoriais previstas para fevereiro.

A Tinta-da-China vai lançar uma caixa de coleção, reunindo edições fac-similadas dos 12 números da mítica revista Persona, publicada entre 1977 e 1985, dedicada a Fernando Pessoa, que inclui textos de autores como Eugénio de Andrade, Agustina Bessa-Luís, Eduardo Prado Coelho, Ana Hatherly, Eduardo Lourenço, Vasco Graça Moura, Jorge de Sena e Mário Cesariny.

Na Coleção de Poesia desta editora, dirigida por Pedro Mexia, os destaques vão para "A Musa Irregular -- Edição aumentada", de Fernando Assis Pacheco, que reúne toda a sua produção poética, e, na Coleção Pessoa, dirigida por Jerónimo Pizarro, será publicada a primeira biografia inglesa de Fernando Pessoa, com o título "Fernando Pessoa, the Poet with Many Faces: a biography and anthology", de Hubert D. Jenings.

A Leya vai editar "Torto Arado" do escritor brasileiro Itamar Vieira Junior, vencedor do Prémio LeYa 2018, e que estará em Portugal para promover o livro.

A D. Quixote, do mesmo grupo editorial, traz como novidades "O Café de Lenine", de Nuno Júdice, "Homens de Pó", novo livro de António Tavares, prémio Leya 2015, "A Capital", de Robert Menasse, "Uma Questão de Conveniência", de Sayaka Murata, e ainda a reedição de "A Cor do Hibisco", de Chimamanda Ngozi Adichie, todos pela D. Quixote.

No grupo Bertrand Circulo, os destaques da chancela Quetzal vão para um novo romance de Sérgio Godinho, intitulado "Estocolmo", um 'thriller' envolvendo um jovem estudante, sequestrado por uma pivô de telejornal que lhe aluga um quarto, e para "Páginas esquecidas", um volume de inéditos e textos esquecidos de Agostinho da Silva, com organização de Helena Briosa e Mota.

Será ainda publicado o romance "A Imortal da Graça", de Filipe Homem Fonseca, que tem como cenário uma "Lisboa contemporânea, cercada de turistas", uma antologia da poesia de João Luís Barreto Guimarães, "O Tempo Avança por Sílabas", que assinala os seus 30 anos de vida literária, e "Histórias", um título que reúne contos e pequenas narrativas de Susan Sontag (1933-2004).

Pela Bertrand, sairá "Janela indiscreta", um livro baseado no magazine com o mesmo nome, que assinala 30 anos de entrevistas com as estrelas de cinema de Hollywood.

Outra novidade que o mês reserva é a publicação pela Relógio d'Água de "O doente inglês", de Michael Ondaatje, romance de 1992, lançado em Portugal pela D. Quixote em 1996, e que, em 2018, foi premiado com um "Booker Dourado" (Golden Booker), uma distinção especial que a organização do Prémio Literário Man Booker decidiu atribuir ao livro que fosse escolhido como o melhor das 51 edições já realizadas.

A Relógio d'Água vai também publicar "História da Sexualidade IV, As Confissões da Carne", de Michel Foucault, "Tess dos D'Urbervilles", um dos principais romances de Thomas Hardy, há muito esgotado em Portugal, "As Novas Rotas da Seda", de Peter Frankopan, e "Todos Nós Temos Medo do Vermelho, Amarelo e Azul", um livro de contos de Alexandre Andrade sobre a intensa perturbação que é possível sentir perante certas cores, nalguns locais.

Na Antígona, um dos destaques vai para "O Tacão de Ferro" (1908), de Jack London, considerado uma das principais distopias do século XX, que viria a influenciar "1984", de George Orwell, escritor que descreveu esta obra como "uma notável profecia da ascensão do fascismo".

No mesmo dia, chega às livrarias "Textos contra o Imperialismo e Outros Males", de Mark Twain, com tradução de Luís Leitão e prefácio de Fernando Gonçalves, uma coleção de ensaios, cartas, discursos e sátiras, escritos entre 1870 e 1908, em "textos ferozes contra a guerra, o colonialismo e o racismo".

Na Cavalo de Ferro, chancela da editora 2020, vão sair "Pequenas Cadeiras Vermelhas", classificado como um dos melhores romances da escritora de língua inglesa Edna O'Brien.

No mesmo grupo editorial, a Elsinore publica "A dor", de Zeruya Shalev, um romance traduzido do hebraico, de uma das mais destacadas autoras da literatura contemporânea, que já está publicado em 25 países, e que conta a história de um matrimónio e de uma família, que reflete simultaneamente a situação política atual em Israel.

Regressa ainda, numa edição inteiramente revista, "A Sexta Extinção", de Elizabeth Kolbert, livro vencedor do Prémio Pulitzer e finalista do National Book Critics Award, e "A Noiva do Tradutor", de João Reis, reedição revista pelo autor de um romance há muito afastado das livrarias.

A 2020 destaca ainda a publicação, pela chancela Topseller, de "Vox", um romance distópico, de Christina Dalcher, finalista dos Goodreads Choice Awards 2018, na categoria de Ficção Científica, que trata temas como o feminismo e o populismo conservador, numa história em que as jovens e mulheres apenas estão autorizadas a dizer cem palavras por dia, sofrendo choques elétricos sempre que ultrapassam o limite.

No grupo editorial Penguin Random House, o mês será marcado pela publicação de um novo romance de Pedro Vieira, o primeiro na chancela Companhia das Letras: "Maré alta", uma história de família, cheia de ausências.

A mesma editora reedita "Materna Doçura", de Possidónio Cachapa, o seu primeiro romance, que fez o autor entrar de rompante no panorama literário português.

Quanto à Alfaguara, tem previsto o lançamento de "Em tudo havia beleza", do autor galego Manuel Vilas, um romance literário que surpreendeu os leitores e os críticos espanhóis em 2018, tendo sido eleito melhor livro do ano pelos jornais El País e El Mundo.

O grupo Almedina vai editar "O cinema ao vivo e as suas técnicas", do realizador Francis Ford Coppola, o ensaio "O que é o conhecimento?", de Tommaso Piazza, da Universidade de Pavia, em Itália, e "Discurso sobre as ciências e as artes", de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), todos nas Edições 70.

Na editora Minotauro, outra chancela do grupo Almedina, será publicado "Rosa Branca, Floresta Negra", de Eoin Dempsey, cuja narrativa decorre durante a II Guerra Mundial.