Idai: Amigos de Moçambique em Timor-Leste recolhem mais de 15 mil dólares para apoio a vítimas

Um grupo de moçambicanos e de amigos de Moçambique em Timor-Leste reuniu e enviou quase 16 mil dólares para apoio às vítimas do ciclone Idai, estando a decorrer uma segunda recolha de fundos, explicou à Lusa a organizadora da iniciativa.

"Conseguimos em dois dias juntar 15.750 dólares, com 47 contribuições individuais e conjuntas, que foram hoje transferidos através do BNU em Timor-Leste para o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades de Moçambique", explicou Nurima Alkatiri, ex-deputada da Fretilin, que liderou a iniciativa.

A ex-deputada, que nasceu em Maputo -- cidade que acolheu muitos timorenses durante a ocupação indonésia -- explicou numa nota enviada à Lusa que o interesse suscitado pela campanha levou a que se realize uma segunda recolha, cujos fundos serão transferidos na próxima semana.

"Moçambique foi dos primeiros países a reconhecer Timor-Leste como uma nação, e abraçou a causa pela independência nacional desde o primeiro minuto. Durante toda a luta maubere, em momentos de muitas dificuldades, o Estado e o povo moçambicanos estiveram sempre ao lado de Timor-Leste, de mãos dadas, em solidariedade constante", refere a nota.

O país, recorda, acolheu a Frente Externa ou Diplomática da luta, "e em alturas em que Moçambique pouco, muito pouco, tinha para si, partilhou esse pouco com os timorenses" que lutavam contra a ocupação indonésia.

"Hoje, deste outro lado do Índico, acompanhamos com muita dor, tristeza e preocupação o impacto do ciclone Idai no centro de Moçambique, causando a perda de muitas vidas e uma destruição devastadora. Acompanhamos e sofremos com o povo moçambicano, perante este desastre arrasador", sublinha.

A recolha de apoios começou entre timorenses naturais de Moçambique ou que viveram ou estudaram no país e moçambicanos que vivem em Timor-Leste, acabando por se alargar a outros cidadãos timorenses e estrangeiros.

Entre os que contribuirão contam-se o ex-Presidente José Ramos-Horta, o ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri e a família, deputados, ex-membros do Governo e do Parlamento Nacional, o cônsul honorário de Moçambique para Timor-Leste, Oscar Lima, o Grupo Cultural Timor Furak e outros cidadãos estrangeiros e timorenses.

A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) tinha já, separadamente, feito um envio de apoio para Moçambique, transferido para o partido Frelimo.

O balanço provisório da passagem do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui aumentou para 603 mortos, com a confirmação de mais 51 vítimas mortais no lado moçambicano.

As autoridades de Maputo confirmaram já o registo de 293 mortos, 1.511 feridos e 344 mil pessoas afetadas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que está a preparar-se para enfrentar prováveis surtos de cólera e outras doenças infecciosas, bem como de sarampo, em extensas zonas do sudeste de África afetadas pelo ciclone Idai, em particular em Moçambique.

O ciclone afetou pelo menos 2,8 milhões de pessoas nos três países africanos e a área submersa em Moçambique é de cerca de 1.300 quilómetros quadrados, segundo estimativas de organizações internacionais.

A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelo ciclone, na noite de 14 de março.

Mais de uma semana depois da tempestade, milhares de pessoas continuam à espera de socorro em áreas atingidas por ventos superiores a 170 quilómetros por hora, chuvas fortes e cheias, que deixaram um rasto de destruição em cidades, aldeias e campos agrícolas.

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