Guterres condena perseguição a religiões e exige fim do ódio

Nova Iorque, 29 abr 2019 (Lusa) -- O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, exigiu hoje a eliminação do "antissemitismo, do ódio anti-muçulmano, da perseguição aos cristãos" e de todas as formas de "racismo, xenofobia, discriminação e incitação".

António Guterres afirmou que existem incidentes que se tornaram "demasiado familiares", lembrando os casos de muçulmanos assassinados em mesquitas, com os seus locais religiosos a serem vandalizados, judeus mortos em sinagogas, com as suas lápides a serem pintadas com suásticas, ou cristãos mortos em oração, com as igrejas a serem incendiadas.

O secretário-geral das Nações Unidas lembrou ainda os casos mais recentes, de um tiroteio numa sinagoga nos Estados Unidos que causou um morto e o ataque a uma igreja cristã no Burkina Faso que matou seis pessoas.

Guterres defendeu que, para além das questões religiosas, existe uma "retórica repugnante" contra os migrantes e refugiados, bem como "afirmações de supremacia branca e um ressurgimento da ideologia neonazista".

O líder das Nações Unidas explicou que existem locais na internet que se estão a transformar em "estufas de ódio", onde pessoas se encontram 'online' para "inflamar e permitir que o ódio se torne viral".

O secretário-geral disse que lançou duas iniciativas urgentes para elaborar "um plano de ação para mobilizar a resposta do sistema das Nações Unidas no combate ao discurso do ódio" e para analisar o que o organismo pode fazer para garantir a segurança dos santuários religiosos.

"O ódio é uma ameaça para todos e por isso é um trabalho para todos", disse Guterres, explicando que os líderes políticos e religiosos "têm uma responsabilidade especial de promover a coexistência pacífica".

"Vou contar com o forte apoio dos governos, da sociedade civil e de outros parceiros no trabalho conjunto para defender os valores que nos unem como uma única família humana", frisou.

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