Governo da África do Sul reune embaixadores sobre violência xenófoba contra estrangeiros

A ministra das Relações Internacionais e Cooperação sul-africana, Lindiwe Sisulu, reúne-se hoje, em Pretória, com embaixadores acreditados na África do Sul para discutir a recente violência xenófoba contra cidadãos estrangeiros no país.

O ministro da Polícia, Bheki Cele, participa também no encontro para o qual foram convocados os embaixadores da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral), Paquistão, Bangladesh e Índia, disse à Lusa o porta-voz do Ministério das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ndivhuwo Mabaya.

Segundo o porta-voz, o Governo sul-africano está preocupado com os incidentes de violência e ataques de xenofobia contra cidadãos estrangeiros que eclodiram há uma semana no país, nomeadamente nas províncias do KwaZulu-Natal, litoral sudeste, e Limpopo, norte do país.

Em declarações à imprensa, na sexta-feira, Lindiwe Sisulu reafirmou a preocupação do Governo [Congresso Nacional Africano (ANC, sigla em inglês)] com a recente onda de violência e ataques xenófobos contra cidadãos estrangeiros, instando as autoridades de segurança a atuar.

"O Governo reconhece a contribuição significativa e os sacrifícios de cidadãos de vários países africanos na libertação dos sul-africanos e na queda do regime do apartheid", adiantou a chefe da diplomacia sul-africana.

O chefe de Estado, Cyril Rampahosa, que é também presidente do ANC, no poder desde 1994, condenou os incidentes de violência e ataques xenófobos contra estrangeiros após uma visita que efetuou à província do KwaZulu-Natal, em campanha eleitoral.

"Estes recentes ataques violam tudo aquilo pelo qual o nosso povo lutou durante muitas décadas, condeno pessoalmente porque não somos isso como povo", afirmou Cyril Ramaphosa durante uma visita a Pietermaritzburg, na sexta-feira.

Todavia, com eleições legislativas marcadas para dia 8 de maio, no discurso de campanha eleitoral que realizou em Durban, na semana anterior, o chefe de Estado sul-africano advertiu proprietários de negócios a operar em "townships" [definição de bairros negros durante o apartheid], sem fazer no entanto referência direta a cidadãos estrangeiros.

"Toda a gente chega às nossas townships e áreas rurais e monta negócios sem ter licenças e autorizações. Vamos acabar com isso e aqueles que estão a operar ilegalmente, seja de que sítio venham, devem agora saber (...)", declarou Ramaphosa no seu discurso, declaração essa transmitida pelo canal de televisão ENCA, no dia 20 de março na rede social YouTube.

A polícia no KwaZulu-Natal confirmou à imprensa os incidentes de violência na semana passada, acrescentando que "começaram na noite de domingo [24 de março] com ataques a lojas de cidadãos estrangeiros".

Registaram-se também incidentes na segunda e na terça-feira, adiantou a porta-voz da Polícia, Thulani Zwane.

Na quinta-feira, a Lusa noticiou que sete camiões foram incendiados na autoestrada N3, entre a localidade de Estcourt e a portagem de Rio Mooi, na província do KwaZulu-Natal (KZN).

A polícia sul-africana não confirmou se os incidentes na N3 estão relacionados com a atual onda de protestos que envolve motoristas de camião estrangeiros, nomeadamente moçambicanos.

Imagens de violência no KwaZulu-Natal e alertas de segurança por parte de motoristas moçambicanos têm dado também conta nas redes sociais de atos de intimidação e insegurança de que alegam ser alvo.

"O governo provincial [ANC] está preocupado com a destruição de sete camiões no importante corredor N3 que liga KZN ao coração económico da África do Sul, a província de Gauteng", disse o ministro para o Desenvolvimento Económico, Turismo e Ambiente do governo provincial local.

Sihle Zikalala, adiantou ao semanário local, Sunday Tribune, que também na semana passada, pelo menos cinco fábricas ficaram destruídas por fogo posto no parque industrial Isithebe, em Mandeni, no litoral norte do KwaZulu-Natal.

"As fábricas de propriedade da Corporação de Desenvolvimento Financeiro Ithala, foram incendiadas por residentes insatisfeitos com o município local", explicou.

A polícia confirmou a detenção de 15 pessoas por destruição maliciosa de propriedade e incitação à violência pública, segundo o jornal de Durban.

Em declarações à imprensa, na sexta-feira, o presidente da Câmara Municipal de eThekwini (envolvente à cidade de Durban), Zandile Gumede, considerou que os incidentes de violência são "pura criminalidade".

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