Angola quer voltar a apostar no café

O Governo angolano anunciou quer apostar na exportação do café, criando para o efeito uma comissão com 14 ministros. Diversificação da economia é o objetivo.

A comissão multissetorial, que será liderada pelo ministro da Economia e do Planeamento, foi instituída por despacho assinado pelo Presidente João Lourenço e pretende "estimular o crescimento da produção nacional, a diversificação das exportações e a substituição seletiva de importações".

A exportação de café, que no período colonial valeu a Angola o título de quarto maior produtor mundial, assume prioridade, com o despacho assinado pelo Presidente angolano a considerar "a necessidade de começar imediatamente a realizar investimentos na substituição de mudas e na extensão das existentes".

Angola chegou a atingir uma produção anual de 200 mil toneladas de café, antes de 1975, ano em que se tornou independente. Após a independência, a produção reduziu-se a menos de 10%, fruto do abandono do cultivo durante as mais de três décadas de guerra civil angolana.

Em Angola, o café mais produzido (95%) é do tipo robusta e a maioria da produção é exportada para Espanha, Alemanha, Portugal e parte residual para a Itália.

A Comissão Multissetorial de Implementação do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituições de Importações, deverá apoiar o surgimento de "fileiras produtivas", bem como a promoção da exportação de produtos e matérias-primas e da criação de 'cluster' de indústrias de produtos considerados prioritários.

Desde logo, a comissão terá também de "conceber, aprovar e implementar faseadamente iniciativas de substituição de importações nos setores de Agricultura, Pecuária, Agroindústria, Pescas, Indústria Pesada, Educação e Saúde" e "atrair e mobilizar capital externo interessado no desenvolvimento do país".

Também está definida a missão de criar condições para impulsionar, a "curto prazo" e numa "escala considerável" produtos prioritários, como banana, mandioca, batata, mel, peixe, mariscos, crustáceo, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, ferro, ouro, quartzo, madeiras, cimentos e têxteis, entre outros.

O país vive desde finais de 2014 uma profunda crise financeira, económica e cambial, devido à quebra nas receitas com a exportação de petróleo, e tenta desde então apostar na diversificação dos produtos que vende ao exterior.

Atualmente, o crude representa cerca de 95% das exportações angolanas.

Integram esta comissão os ministros das Finanças, da Administração do Território e Reforma do Estado, da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, do Comércio, da Indústria, da Agricultura e Florestas, dos Recursos Minerais e Petróleos, da Justiça e dos Direitos Humanos, do Turismo, das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, dos Transportes, da Construção e Obras Públicas e do Ambiente, bem como o governador do banco central.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG