Futuro de Macau passa pela expansão turística para Hengqin - especialista

Macau, China, 23 mai 2019 (Lusa) - O advogado português especialista na área do jogo Pedro Cortés disse hoje à Lusa que o futuro de Macau passa pela expansão turística do território para Hengqin (Ilha da Montanha), "um novo Macau, mas sem jogo".

Hengqin é "uma parte fundamental do desenvolvimento futuro da Grande Baía, do desenvolvimento futuro de Macau, que já tem alguns hotéis, vai ter parques temáticos, vai ter empresas com tecnologia de ponta, vai ter um centro financeiro para financiar tudo isso", afirmou o sócio português da Rato, Ling, Lei & Cortés -- Advogados, Pedro Cortés, à margem da sua intervenção da 13.ª Global Gaming Expo Asia (G2E Asia), que termina hoje em Macau.

Hengqin é encarado por isso como um terreno adjacente a Macau e que poderá servir de apoio ao território que tem pouco mais de 30 quilómetros quadrados, mais de 670 mil residentes e que acolhe cerca de três milhões de turistas por mês.

Por outro lado, terá um papel significativo no desenvolvimento da Grande Baía, um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que junta as regiões administrativas especiais de Macau e de Hong Kong e nove cidades chinesas da província de Guangdong (Dongguan, Foshan, Cantão, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai), numa região com cerca de 70 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior do que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

"Olhamos para Hengqin como um novo Macau, mas sem jogo e é um Macau muito mais planeado", disse Pedro Cortés.

"Qualquer um dos operadores de jogo quer ir para Hengqin", dando o exemplo do empreendimento ao estilo manuelino com cerca de 130.000 metros quadrados, projeto da Macau Legend, do empresário David Chow, que possui vários investimentos nos países lusófonos.

A concessionária de jogo Galaxy está também a construir um 'resort' no território adjacente a Macau.

"As pessoas de Macau deviam olhar para Hengqin com muita atenção porque é lá que vai ser o futuro, não é aqui em Macau", apontou.

O advogado lembrou ainda a construção do Parque China-América Latina "para estreitar as relações entre a China e as empresas da América Latina", destacando a importância que pode ter para o Brasil e para os países de língua portuguesa.

"Nós temos alguns clientes dessas origens", disse, acrescentando que o seu escritório é "quase uma pequena plataforma jurídica entre a China e os países de língua portuguesa".