Festival Planalto leva artes a Moimenta da Beira, "no interior do interior"

Moimenta da Beira, Viseu, 05 mai 2019 (Lusa) -- A "vontade pessoal e urgente" de Luís André Sá de levar as artes performativas a territórios interiorizados, que sofrem de despovoamento, deu origem ao festival Planalto, que vai animar Moimenta da Beira dos dias 20 a 25.

Apesar de viver em Lisboa, o bailarino e coreógrafo sempre teve intenção de devolver à terra onde nasceu um pouco daquilo que lhe foi dado durante o seu crescimento.

"Moimenta da Beira fica no interior do interior e todas as regiões envolventes têm esta condição. Era muito importante para mim, já há algum tempo, poder desenvolver um projeto desta natureza, que colmatasse a enorme falta de programação cultural", justificou, à agência Lusa.

Foi com essa intenção que nasceu o Planalto -- Festival das Artes, projeto do qual Luís André Sá é diretor artístico e de programação, e que, na sua primeira edição, contará com mais de 30 eventos, divididos por seis disciplinas artísticas e que ocuparão mais de 80 horas de programação.

"Há uma enorme falta de democratização do acesso à cultura e estes territórios do interior podem também trabalhar a coesão social através da arte e da cultura", considerou.

Na sua opinião, a desertificação verificada nestes territórios "não é só de pessoas, é também de conteúdos e de massa crítica".

Segundo Luís André Sá, desenvolver um projeto desta natureza em Moimenta da Beira, no distrito de Viseu, significa, por um lado, um risco, "porque o público que não está habituado" a este tipo de programação cultural.

"Mas, por outro lado, sublinha a força deste projeto, que é a urgência e a necessidade de ele acontecer", frisou.

O coreógrafo disse que apesar de haver programação cultural em concelhos relativamente próximos, como Vila Real, Lamego, Viseu e Tondela, "uma grande fatia da população de Moimenta não tem acesso a estes polos culturais".

O projeto Planalto quer "estar de mãos dadas com todos os projetos culturais que estão instalados na região", por entender que só assim conseguirá contribuir para o desenvolvimento dos territórios do interior.

Luís André Sá explicou que a primeira edição do festival Planalto tem "um orçamento muito baixo, entre 35 e 40 mil euros", só sendo possível de realizar graças "ao esforço gigante" de várias entidades públicas e privadas e dos artistas.

"Precisamos, no futuro, de conseguir mais parceiros, convencê-los de que estas iniciativas são importantes para a própria sustentabilidade", afirmou.

O objetivo foi "lançar já a semente em 2019, para que a árvore possa, a pouco e pouco, ir crescendo", acrescentou.

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