Ex-dirigente da ONU diz que Zona de Livre Comércio muda quadro de África

Lisboa, 25 mai 2019 (Lusa) -- O estabelecimento de uma Zona de Livre Comércio Continental (ZLEC) pode mudar o quadro atual de África, que ainda sofre de "marginalização" no comércio mundial, considerou hoje o guineense ex-dirigente da ONU Carlos Lopes.

"Os atuais esforços para o estabelecimento de uma Zona de Livre Comércio Continental podem mudar o quadro. A ZLEC vai criar um mercado único com o maior número de países membros do mundo, dentro da região que mais cresce em termos de população e consumo", afirmou o professor guineense, que falava hoje de manhã no 1.º Fórum de Economistas da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), promovido em parceria com a delegação do Centro e do Alentejo da Ordem dos Economistas e que decorre hoje em Lisboa.

Para Carlos Lopes, se a ZLEC incluir reformas ambiciosas, desenvolvimento sincronizado de infraestruturas, particularmente nas áreas de transporte e energia, e facilitação do comércio, "favorecendo as trocas transfronteiriças", irá "compensar facilmente os declínios esperados nas receitas tarifárias específicas de cada país".

"A ZLEC pode impulsionar significativamente o comércio intra-africano, desde que seja implementada com determinação", disse, defendendo que, para isso, é preciso "boa vontade".

Porque, considerou Carlos Lopes, "o principal obstáculo" para o impulso industrial no continente africano "pode muito bem ser a camisa de forças na qual a África se encontra quando negoceia acordos comerciais".

Na opinião do professor guineense, que foi adjunto do secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan, a "marginalização de África no comércio mundial é antiga e não mudou": "É chocante", sublinhou.

Por isso, a participação do continente no comércio mundial é inferior a 3%, referiu.

Carlos Lopes considerou ainda que as economias africanas podem estar a emergir a demonstrar maior ambição, mas nos últimos anos são também evidentes os limites dos modelos de crescimento da maioria delas, desde o início do século.

Para o docente, mais do que qualquer outro fator, as mudanças demográficas, e com elas a procura interna crescente, têm sido o principal motor do crescimento do continente.

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