Europeias: O diabo não veio mas Passos Coelho voltou com o retrovisor -- Costa

Setúbal, 22 mai 2019 (Lusa) - O secretário-geral do PS, António Costa, considerou hoje que o regresso do ex-presidente do PSD Pedro Passos Coelho à cena política demonstrou que continua a encarar o futuro pelo espelho retrovisor dos tempos da austeridade.

Estas críticas foram feitas por António Costa no final do jantar comício em Setúbal, numa fase do seu discurso em que se referiu ao facto de Pedro Passos Coelho, num almoço do PSD em Cascais, na segunda-feira, ter caracterizado o atual Governo como "ilusionista".

"Ao contrário do que eles imaginaram, ou, melhor, ao contrário do que eles desejaram, o diabo não veio. Contudo, Passos Coelho voltou - e esse regresso diz tudo, diz bem o que lhes vai na alma e como eles veem o futuro de Portugal", reagiu o líder socialista.

Segundo António Costa, esta corrente do PSD mais ligada a Pedro Passos Coelho, quando olha para o futuro de Portugal, "o que vê é o retrovisor, o país a andar em marcha atrás, voltando ao tempo da austeridade, do corte dos salários e das pensões, e ao tempo do enorme aumento de impostos".

"É esse o futuro que eles querem - e é esse o futuro que nós não queremos", contrapôs, recebendo uma prolongada salva de palmas por parte dos militantes e simpatizantes socialistas.

Antes, o secretário-geral do PS voltou a acusar o cabeça de lista europeu social-democrata, Paulo Rangel, no plenário do Parlamento Europeu, "de ter erguido a voz não para defender Portugal, não para defender os portugueses, mas para pedir à Comissão Europeia que viesse a Portugal impedir o acordo entre o PS, PCP, Bloco de Esquerda e PEV" para a formação do atual Governo.

"Ele, Paulo Rangel, alegou que se virássemos a página da austeridade não respeitaríamos os acordos com a União Europeia. Ele quis atacar Portugal, quis comprometer a nossa soberania democrática de mudar de política", acrescentou.

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