Europa preocupada com interferência russa em antigas repúblicas soviéticas

Dirigentes políticos da Moldávia estão preocupados com a probabilidade de interferência russa na campanha eleitoral que hoje começa, enquanto a Comissão Europeia se queixa de campanhas de notícias falsas de Moscovo.

A campanha eleitoral parlamentar da Moldávia arranca hoje, no meio de receios de que a Rússia procure influenciar os resultados desta antiga república soviética.

A preocupação surgiu depois de o ministro do Interior russo, Vladimir Kolokoltsev, ter anunciado, no passado dia 03, que os moldavos que ultrapassaram as suas permissões de permanência na Rússia podem voltar à Moldávia, no período das eleições, sendo-lhes permitido que regressem à Rússia, sem serem penalizados.

O gesto foi lido por dirigentes políticos adversários do atual governo como uma tentativa de ajudar o Partido Socialista pró-russo, que tem uma forte base de apoio junto da comunidade moldava que vive na Rússia.

A tese de uma alegada estratégia para influenciar politicamente a vida de antigas repúblicas soviéticas é partilhada pela Comissão Europeia.

O comissário europeu para a Segurança, Julian King, afirmou hoje em Bruxelas que o Kremlin criou uma estratégia para disseminar informações falsas sobre a Ucrânia para preparar o terreno para a ação militar que levou ao apresamento de três navios ucranianos, em novembro.

"Se pensam que o incidente (no estreito de Kerch) apareceu do nada, enganam-se", disse King, numa audiência em Bruxelas, explicando que a "campanha de desinformação começou muito antes, há mais de um ano, quando os média russos começaram a fazer acusações de que as autoridades de Kiev estavam a dragar o mar de Azov, para que a frota da Nato ali se instalasse".

O comissário europeu afirmou ainda que o governo russo disseminou informações de que a Ucrânia teria infetado o mar com cólera, antes de começar a alegar que os EUA estavam a preparar incidentes para causar conflitos entre as frotas ucranianas e russas.

Este género de ações estará agora a ser replicado na campanha eleitoral na Moldávia, com o governo russo a tentar tirar proveito do bom relacionamento que tem com o Presidente moldavo, Igon Dodon.

"Moscovo está a apostar nos socialistas e a fazer tudo para que eles ganhem", disse o comentador político moldavo Nicolae Negru, à Associated Press, refletindo preocupações de vários líderes partidários.

Neste caso, a estratégia é permitir que os moldavos que estão a viver na Rússia, mesmo os que estão em situação ilegal, possam deslocar-se à Moldávia para votar e regressem sem penalização, sabendo que a maioria votará no Partido Socialista, cuja direção é próxima do Presidente russo, Vladimir Putin.

A Moldávia assinou um acordo de associação com a União Europeia, em 2014, para iniciar o processo de adesão, o que irritou Moscovo, que de imediato reagiu a este gesto com embargos económicos a este país que fez parte da União Soviética.

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