Estados iberamericanos pretendem alargar mobilidade académica à América Latina

A Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) pretende alargar à América Latina o Programa Paulo Freire-PALOP, projeto-piloto de mobilidade académica, que atribui 25 bolsas para a frequência no segundo semestre do ano letivo de 2018/19.

"A OEI quer reforçar o programa, que pretende recuperar o modelo do Erasmus, e a América Latina é um dos objetivos futuros, porque tem um número muito grande de estudantes de ensino superior que não têm resposta ao seu desejo de entrarem em universidades", frisou hoje a diretora do escritório em Lisboa da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, Ciência e Cultura, Ana Paula Laborinho.

Segundo Ana Paula Laborinho, "há uma grande procura de estudantes de pós-graduação, muito mais procura do que a oferta" de universidades, pelo que o Programa Paulo Freire-Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) constitui "um conjunto de possibilidades a explorar, no interesse de Portugal, da cooperação entre o espaço ibero-americano e o espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)".

"Portugal tem uma relação de proximidade cultural, mas também linguista com países africanos. Isso faz com que Portugal e as nossas instituições de ensino superior possam ser um destino escolhido por esses estudantes que querem fazer cursos superiores e que não têm uma oferta que responda às necessidades", notou.

Ressalvando que o Programa Paulo Freire-PALOP garante também que "estudantes portugueses possam estudar nos países africanos de expressão portuguesa", Ana Paula Laborinho sublinhou que, no âmbito da OEI, na qual Portugal é membro desde 2002, "há uma vontade de cooperação entre todo o espaço ibero-americano e o espaço da CPLP".

"Cada vez mais há uma vontade de cooperação sul-sul", vincou, referindo que o projeto-piloto não só tem "o objetivo fundamental de fomentar a mobilidade académica dos estudantes para que se possa repercutir na investigação, como na formação de professores das próprias instituições".

Ana Paula Laborinho adiantou que "as instituições de ensino superior e as autoridades locais dos países africanos de língua portuguesa pediram que fosse dada prioridade à formação dos próprios professores - muitas vezes, estão a fazer doutoramentos - e podem também neste programa tomarem contacto com metodologias".

A OEI assinou, no final da semana passada, protocolos com o Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) de Huíla, em Angola, e a Universidade de São Tomé e Príncipe.

No início do próximo ano, a OEI assinará protocolos com instituições de ensino superior portuguesas para acolherem alunos de Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique no âmbito do Programa Paulo Freire-PALOP.

Seis instituições portuguesas de ensino superior participam no Programa Paulo Freire-PALOP, criado em 2014 e reforçado agora para outras áreas de conhecimento: universidades do Minho, Porto, e Lisboa (através do Instituto de Educação) e os politécnicos de Beja, Bragança e Leiria.

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