Escavações arqueológicas no castro em Matosinhos decorrem até final de maio

Matosinhos, Porto, 02 mai 2019 (Lusa) -- A quarta campanha de escavações arqueológicas no Castro do Monte Castêlo, em Matosinhos, arrancou esta semana e prolonga-se até 24 de maio para "desenterrar a memória", adiantou hoje a câmara local.

Os primeiros vestígios desta estrutura foram encontrados em 2016 e visam "desenterrar a memória dessas raízes remotas de Matosinhos", no distrito do Porto, adiantou, em comunicado.

Os trabalhos no Castro de Guifões, como também é conhecido aquele local, vão dar sequência às escavações realizadas nos anos anteriores, procurando trazer à luz novos vestígios da atividade portuária que terá dado origem a Matosinhos.

Há dois mil anos, durante o período de ocupação romana, a encosta que vai do Castro do Monte Castêlo ao leito do rio Leça albergou um importante porto comercial, que mantinha contacto com territórios da atual Itália ou do Norte de África, explicou a autarquia.

As escavações efetuadas em 2016, 2017 e 2018 revelaram já diversos muros e estruturas que corresponderiam à existência naquele local de duas casas do tempo do Império Romano, mas também a construções mais antigas, sublinhou.

"Foram ainda recolhidos numerosos fragmentos de cerâmica e amostras de sementes, os quais têm fornecido indicações preciosas para a reconstituição dos diversos aspetos da vivência quotidiana das populações que habitaram este local há cerca de dois mil anos", vincou.

A autarquia acrescentou que a grande quantidade de ânforas encontradas tem, por outro lado, evidenciado a diversidade de contactos comerciais deste porto com zonas tão distantes como a Itália ou o norte de África.

Nos dias 16 e 17 de maio haverá um dia aberto à comunidade, durante o qual os trabalhos arqueológicos poderão ser visitados e acompanhados. O campo vai também ser objeto de visitas guiadas para as escolas do ensino básico e secundário.

Em simultâneo com a realização das escavações continuará patente na Galeria da Biblioteca Municipal Florbela Espanca, até ao dia 25 de maio, a exposição "Memórias do Monte Castêlo: 100 anos do nascimento de Joaquim Neves dos Santos", dedicada ao trabalho arqueológico que tem vindo a ser realizado no local, homenageando aquele que foi um dos seus maiores entusiastas, frisou.

A exposição reúne documentos pessoais de Joaquim Neves dos Santos, fotografias e imagens dos trabalhos de escavação realizados, assim como um conjunto selecionado de peças que ilustram a diversidade de objetos que marcaram a vida quotidiana destas populações desde a Idade do Ferro ao final do Império Romano.

Estas escavações são fruto da colaboração da Câmara Municipal de Matosinhos com o Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (em colaboração com a União de Freguesias de Guifões, Custóias e Leça do Balio e a APDL -- Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo).

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