ENTREVISTA: Investimento da BP em renováveis aguarda "ecossistema estável" em Portugal

O presidente da BP Portugal, Pedro Oliveira, afirmou hoje que o investimento em renováveis da multinacional britânica em Portugal está dependente da existência de um "ecossistema estável", referindo que os próximo passos serão dados "com cautela".

"Portugal não vai ficar à margem dessa agenda [de investimento renovável], mas vamos dar os passos com a cautela necessária face a um curto e médio prazo que é relativamente incerto, e tem até dimensões de arbitragem fiscal relevantes e que pode transformar uma linha de negócio apetecível numa linha de negócio ruinoso", afirmou Pedro Oliveira.

Em entrevista à Lusa no âmbito do 90.º aniversário da BP em Portugal, o presidente adiantou que a multinacional é hoje "um 'player' mundial ao nível das eólicas, dos biocombustíveis, do gás natural, comprou o maior promotor de projetos solares - Lightsource - na Europa, e tem uma posição na agenda da mobilidade elétrica".

Quando questionado se a empresa está já a analisar projetos concretos, o responsável recusou "responder com essa objetividade", mas, adiantou: "a BP a nível central está a olhar a Europa e porque é que Portugal não deveria ser uma opção para o grupo BP, tendo nós a presença que temos neste país".

"Mas tem que haver um ecossistema estável em termos de investimento e as mudanças não ajudam a estabelecer as condições de base para estarmos no radar com a força com que gostaríamos", declarou.

Pedro Oliveira lembrou que "há muitos anos a BP teve um projeto solar previsto para o Alentejo que, à última hora, porque se alteraram determinadas condições, não aconteceu e esse investimento não pode ser levado a cabo".

Em causa estava a instalação daquela que, segundo a imprensa, seria a maior central de energia solar do mundo, um investimento de cerca de 250 milhões de euros, na vila da Amareleja, concelho de Moura.

Em novembro de 2003 foi assinado um acordo de cooperação que oficializava a construção da estrutura entre a Agência Portuguesa para o Investimento (API), a Direção Geral de Energia, a AMPER Central Solar, SA e a BP Solar Espanha.

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